
A violência no Piauí deixou de ser exceção e se tornou regra. Toda semana, ou no máximo a cada mês, um policial é assaltado ou morto no Estado. O que antes eram ataques isolados, agora seguem um padrão: ações meticulosamente planejadas, comandadas pelo crime organizado e por facções criminosas que desafiam as forças de segurança do Estado sem medo de represálias.
Na tarde desta quinta-feira (20), um sargento do Corpo de Bombeiros do Piauí, identificado apenas como Valdir, tornou-se mais uma vítima desse cenário caótico. Ele foi baleado durante um assalto no bairro Renascença, zona Sudeste de Teresina. No momento do crime, estava acompanhado da esposa abrigando-se da chuva. Os criminosos não hesitaram em agir, levando sua motocicleta e sua arma.
Segundo a Polícia Militar, quatro homens chegaram em duas motos, abordaram o sargento e o renderam. Em meio ao assalto, o militar tentou reagir e acabou sendo baleado na perna. Ferido, foi socorrido e levado às pressas para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde seu estado de saúde foi considerado estável.
A ousadia dos criminosos não é obra do acaso. A violência sistemática contra agentes de segurança pública revela a crescente influência das facções criminosas, que agem sem temor de punição. No Alto da Ressurreição, também na zona Sudeste da capital, outro sargento foi morto em dezembro passado em circunstâncias semelhantes. São ataques orquestrados, aproveitando o elemento surpresa, onde os criminosos saem quase sempre em vantagem.
A grande questão que precisa ser respondida é: por que os faccionados se sentem tão à vontade para atacar militares no Piauí? A resposta passa, inevitavelmente, pela ineficiência do combate ao narcotráfico e pela fragilidade do sistema de Justiça. Bandido tem nome, CPF e endereço certo. A polícia sabe quem são e onde vivem. Delegados e investigadores conhecem um a um os criminosos que dominam suas jurisdições. No entanto, a engrenagem judicial frequentemente os solta, perpetuando o ciclo de impunidade.
Diante disso, a Secretaria de Segurança Pública precisa ir além das operações pontuais. O enfrentamento ao crime precisa ser cirúrgico e implacável. Caso contrário, a polícia continuará "enxugando gelo", enquanto o crime avança, tornando o Piauí refém de sua própria insegurança.
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