
Uma investigação recente do Ministério Público, exibida no Fantástico deste domingo (3), revelou um esquema de desvio de R$ 13 milhões destinados à educação em São Benedito do Rio Preto, cidade no interior do Maranhão. O dinheiro, parte de um repasse de R$ 91 milhões do Fundeb, foi desviado em grande parte para parentes do prefeito Wallas Rocha e de sua esposa, a primeira-dama Brenda Gabrielle Nunes da Silva, levantando questões sobre a transparência na administração dos recursos públicos em uma cidade pequena e pouco expressiva.
O Fundeb, fundo criado para financiar e manter a educação básica, impõe uma divisão rígida de seu uso: 70% deve cobrir o pagamento de educadores, enquanto os outros 30% se destinam à manutenção das escolas e aquisição de material escolar. No entanto, documentos coletados pelo Ministério Público indicam que os repasses foram desviados para contas pessoais, incluindo familiares do prefeito, da primeira-dama e de políticos locais.
Conforme a investigação, o desvio abrangeu uma rede de 1.598 contas, quando apenas profissionais da educação deveriam receber esses pagamentos por meio de folhas salariais regulares. Os repasses incluíram quantias direcionadas a 11 familiares do prefeito, do secretário de educação e do vereador Irmão Valter (PSB), além de valores que teriam sido transferidos para contas de “laranjas”.
Entre os beneficiados, o casal Rocha recebeu R$ 317.500, enquanto a primeira-dama obteve sozinha R$ 58 mil. Além disso, três parentes do secretário de educação e o pastor Jairo Frazão receberam R$ 126 mil, e dez membros da família do vereador Irmão Valter obtiveram R$ 112 mil.
Além do Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e a Controladoria-Geral da União também estão envolvidos nas investigações, que agora buscam esclarecer as penas cabíveis aos envolvidos e a extensão dos prejuízos para a educação pública local. A revelação levanta questões urgentes sobre como um município tão pequeno e pouco expressivo recebe tamanha verba e permite tal grau de irregularidades. A situação da educação em São Benedito do Rio Preto segue crítica, enquanto as investigações avançam em busca de responsabilizações e recuperação dos valores desviados.
Reportagem do Fantástico tentou contato com envolvidos, mas não teve retorno. O Tribunal de Contas do Estado, a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público Estadual investigam o caso.
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