
A região Nordeste está desempenhando um papel crucial no abastecimento de energia elétrica para outras partes do Brasil, como as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), houve um aumento significativo de 12% no fornecimento de energia do Nordeste para o Sudeste e Centro-Oeste, subindo de 11.600 MW para 13.000 MW. Esse incremento reflete o maior aproveitamento das fontes de energia eólica e solar, que são abundantes na região.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, explicou que, além do aumento no intercâmbio com o Sudeste e Centro-Oeste, a carga de energia exportada do Nordeste para o Norte também teve um acréscimo expressivo, chegando a quase 30%. A capacidade de exportação para o Norte passou de 4.800 MW para 6.200 MW. Esse movimento visa recuperar os níveis de escoamento de energia que estavam em vigor antes da interrupção registrada em 15 de agosto de 2023.
A ampliação foi possível graças à entrada em operação de novas infraestruturas no Sistema Interligado Nacional (SIN), incluindo uma subestação e três novas linhas de transmissão de 500 kV no Ceará. Essas novas instalações reforçam a capacidade do sistema de transmitir energia limpa gerada no Nordeste para outras regiões do país, principalmente para o Sudeste, que é o maior centro consumidor.
Esse aumento na capacidade de transmissão de energia do Nordeste para outras regiões do Brasil representa um avanço na segurança energética do país. O ONS destaca que o sistema elétrico se torna mais eficiente e confiável, com maior participação de fontes renováveis, como parte da estratégia nacional de transição energética. Segundo Marcio Rea, essa é uma prioridade do Ministério de Minas e Energia, liderado por Alexandre Silveira.
Além das novas linhas no Ceará, outro empreendimento está previsto para entrar em operação até o final de outubro. Trata-se de uma linha de transmissão na Bahia, que aumentará a capacidade de escoamento de energia do Nordeste para o Sudeste e Centro-Oeste em 800 MW, passando dos atuais 13.000 MW para 13.800 MW. Esse projeto faz parte de um conjunto de investimentos realizados desde o Leilão de Transmissão de 2018.
As novas linhas de transmissão são uma resposta para reduzir as restrições de geração de energia, que vinham sendo um desafio para o sistema. Com a ampliação da infraestrutura, o ONS também revisou a metodologia para definição dos cortes, tornando o sistema mais dinâmico e eficiente ao levar em consideração um conjunto maior de variáveis na operação das redes de transmissão.
Piauí
O Piauí se consolidou como um dos principais estados produtores de energia renovável no Brasil, atingindo 6 GW de capacidade instalada em julho de 2023. Com 178 parques de energia, sendo 118 de eólica e 60 de solar, o estado gera energia suficiente para abastecer mais de 3 milhões de residências. O maior parque eólico do Brasil, o Lagoa dos Ventos, está no Piauí, com 1,5 GW de potência instalada. Além disso, o estado liderou o crescimento na geração de energia eólica em 2022, com um aumento de 24,85% em comparação ao ano anterior.
O Piauí também avança na produção de hidrogênio verde, considerado o combustível do futuro. A empresa Solatio, da Espanha, construirá o maior parque solar do Brasil em Bom Princípio, com 4 GW de potência. Esse parque abastecerá a futura usina de hidrogênio verde, que será instalada em Parnaíba, em parceria com a Green Energy. Esses projetos reforçam a posição do Piauí como líder em energias renováveis e protagonista na transição energética do país.
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