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Política CAMPANHA CONSOLIDADA

Flávio Bolsonaro mantém vantagem sobre Lula, e campanha petista corre contra o relógio

A 12 dias do segundo turno, senador tem 52% dos votos válidos, contra 48% do presidente. Rejeição crescente, avaliação negativa do governo e estratégia eleitoral colocam Lula diante de um desafio cada vez maior.

13/10/2026 às 08h10 Atualizada em 13/10/2026 às 08h22
Por: Douglas Ferreira
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Flávio Bolsonaro mantém vantagem numérica sobre Lula em mais uma pesquisa - Foto: Reprodução/Arte gerada por IA
Flávio Bolsonaro mantém vantagem numérica sobre Lula em mais uma pesquisa - Foto: Reprodução/Arte gerada por IA

A eleição presidencial de 2026 entra na reta final com um cenário desafiador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno numericamente à frente do adversário, mantém a liderança nas pesquisas e aparece com vantagem na BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira (13). A 12 dias da votação, o senador soma 52% dos votos válidos, contra 48% do petista. Embora a diferença esteja dentro da margem de erro e configure empate técnico, a sequência de levantamentos favoráveis ao candidato do PL aumenta a pressão sobre a campanha governista.

A 17ª rodada da BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores por telefone, entre 10 e 12 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-07997/2026. O resultado não permite considerar a eleição decidida, mas revela um desafio concreto: Lula precisa reverter a diferença em um intervalo curto, enquanto Flávio trabalha para preservar a dianteira.

O problema do PT vai além dos quatro pontos de diferença. Segundo o levantamento, 92% dos entrevistados afirmam ter certeza do voto, enquanto apenas 7% admitem que podem mudar de escolha. Entre estes últimos, 20% dizem que poderiam votar em Lula e 16% apontam Flávio. O espaço para movimentações existe, mas é limitado, e não há garantia de que os eleitores dispostos a mudar efetivamente migrem para o presidente.

Outro indicador preocupa o Planalto: a rejeição. A parcela dos entrevistados que afirma não votar em Flávio de jeito nenhum caiu de 51% para 47%. Já a rejeição a Lula subiu de 48% para 51%. Em uma disputa de segundo turno, na qual cada candidato precisa atrair eleitores além de sua base tradicional, essa evolução pode dificultar a expansão da votação petista. O senador reduz resistências, enquanto o presidente enfrenta o movimento contrário.

A avaliação do governo federal ajuda a compreender o cenário. A pesquisa mostra que 45% consideram a administração Lula ruim ou péssima, contra 34% que a classificam como ótima ou boa; outros 20% avaliam a gestão como regular. A desaprovação do presidente chega a 50%, enquanto a aprovação é de 45%. Os números levantam uma questão central: por que o governo não consegue transformar suas realizações em uma percepção positiva mais ampla entre os eleitores?

A resposta pode envolver diversos fatores, desde a comunicação dos resultados até a insatisfação com a economia e os serviços públicos. O fato é que ocupar a Presidência não garante vantagem eleitoral quando parte expressiva da população avalia negativamente a gestão. O anúncio de novas linhas de crédito e medidas para reduzir o endividamento de microempreendedores individuais e empresas do Simples Nacional, previsto para esta terça-feira, é uma tentativa de conquistar segmentos resistentes ao petista. Resta saber se haverá tempo para que a iniciativa produza efeitos eleitorais.

Também merece reflexão a estratégia de campanha. Concentrar esforços em atacar Flávio Bolsonaro pode mobilizar a militância, mas não necessariamente convence quem está indeciso ou insatisfeito com o governo. Se Lula pretende reverter o quadro, precisa explicar por que merece mais quatro anos de mandato, apresentar resultados concretos e demonstrar como suas propostas podem melhorar a vida da população. Uma campanha que fala excessivamente dos defeitos do adversário corre o risco de deixar em segundo plano a defesa do próprio governo.

A disseminação de fake news acrescenta outro problema ao ambiente eleitoral. Informações falsas podem distorcer o debate e comprometer a confiança nas campanhas, mas não seria correto atribuir a liderança de Flávio exclusivamente à desinformação sem evidências que demonstrem essa relação. O desafio é separar fatos de acusações, combater conteúdos enganosos e evitar que a disputa se transforme em uma sucessão de ataques pessoais. A credibilidade também pode influenciar a percepção do eleitor.

O histórico eleitoral brasileiro é frequentemente invocado para sustentar que quem termina o primeiro turno na frente tem vantagem para vencer o segundo. Essa leitura, porém, não deve ser apresentada como uma regra absoluta sem a conferência dos precedentes históricos pertinentes. O ponto político permanece: quem começa a etapa final na liderança pode concentrar esforços em preservar seus votos, enquanto o adversário precisa conquistar novos apoios e reduzir a resistência ao próprio nome.

Flávio, entretanto, não pode tratar a vantagem como vitória antecipada. A diferença de quatro pontos está dentro da margem de erro, e a pesquisa representa o cenário observado entre os dias 10 e 12 de outubro, não uma previsão definitiva do resultado. O senador precisa evitar erros, manter sua base mobilizada e impedir que a rejeição volte a crescer. A queda registrada nesse indicador é favorável, mas sua continuidade dependerá dos próximos movimentos da campanha.

A questão decisiva é saber se Lula conseguirá mudar a direção da disputa antes de 25 de outubro. O presidente enfrenta simultaneamente uma desvantagem numérica, rejeição crescente e avaliação negativa do governo superior à positiva. Não está matematicamente derrotado, mas precisa apresentar uma reação consistente para superar esses obstáculos.

A campanha petista terá de escolher entre insistir em uma estratégia concentrada na desconstrução do adversário ou priorizar resultados, propostas e respostas às preocupações dos eleitores. Com 92% dos entrevistados afirmando ter certeza do voto, segundo a BTG/Nexus, cada dia se torna mais importante. Flávio tem uma vantagem a preservar; Lula, uma diferença a superar e uma rejeição a combater. A eleição continua aberta, mas os números mostram que o presidente corre contra o relógio — e, até aqui, ainda não demonstrou como pretende virar o jogo.

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