
As eleições de 6 de outubro trouxeram mais do que prefeitos eleitos; trouxeram uma boa dose de ironia ao cenário político maranhense, especialmente para a esquerda. O Partido Liberal - PL de Jair Bolsonaro dominou a cena no Maranhão, berço do ministro "comunista" Flávio Dino, hoje no Supremo Tribunal Federal - STF. O partido de Bolsonaro levou impressionantes 40 prefeituras, enquanto o Partido Socialista Brasileiro - PSB, agora lar de Dino, teve de se contentar com apenas 19. Já o PT de Lula, coitado, conseguiu eleger apenas 2 prefeitos. Quem diria?
Como bem disse Eduardo Galeano, “A liberdade de eleições permite que você escolha o molho com o qual será devorado”. E parece que o eleitorado maranhense decidiu temperar suas escolhas com uma pitada de ironia e, claro, uma dose generosa de pragmatismo. Dino, outrora o herói da esquerda no Estado do Maranhão, viu seu partido sair praticamente esmagado no pleito municipal. O "comunismo" de Dino, ao que parece, não conseguiu se manter tão popular entre os eleitores locais, apesar de seu salto do PCdoB para o PSB – com escala, é claro, no Senado e no STF.
E não pense que a derrota foi isolada. O governador Carlos Brandão, fiel escudeiro de Dino e também do PSB, acabou pagando a conta desse insucesso. E quem ri por último? O MDB de José Sarney, que passou de 7 prefeituras em 2020 para 37 em 2024. É o velho Sarney mostrando que, mesmo fora dos holofotes, continua sabendo como jogar o jogo da política maranhense.
Carlos Drummond de Andrade, sempre cirúrgico, nos lembra que “uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave”. Parece que, no Maranhão, a correção foi severa. Os números mostram uma guinada à direita e ao centro, com MDB, PP e União Brasil conquistando mais prefeituras que o PSB de Dino. A esquerda, que uma vez dominou o Estado com Dino e o PCdoB, agora amarga um desempenho medíocre.
E o que dizer da queda do PCdoB? Em 2020, eles conseguiram eleger 22 prefeitos. Agora, em 2024, o eleitor parece ter perdido a paciência com essa turma: apenas dois municípios ainda têm prefeitos comunistas. É, o mundo gira, a política muda, mas as lições são sempre as mesmas: o eleitor cansa, o poder passa e, no fim das contas, quem souber se adaptar sobrevive.
Talvez, como disse Drummond, as eleições corrijam erros. Ou talvez não. Afinal, errar é humano, mas repetir erros na política, especialmente induzido por promessas vazias e discursos inflamados, é praticamente uma tradição.
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