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PL pede quebra de sigilos de Marcola e investiga possível vazamento de informações da PF ao Palácio do Planalto

Partido solicita ao STF acesso a dados bancários e fiscais do ex-chefe de gabinete de Lula, além de busca e apreensão, para apurar se investigações sigilosas da Polícia Federal foram antecipadas ao presidente

07/08/2026 às 14h29
Por: Douglas Ferreira
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Marcola enquanto chefe de gabinete de Lula - Foto: Reprodução/Imagem editada por IA
Marcola enquanto chefe de gabinete de Lula - Foto: Reprodução/Imagem editada por IA

O caso envolvendo o ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ganhou um novo capítulo. O Partido Liberal (PL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que sejam quebrados os sigilos bancário e fiscal do ex-assessor de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além da realização de busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos.

O requerimento, encaminhado ao ministro André Mendonça pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), não se limita à investigação das movimentações financeiras de Marcola. O principal objetivo é esclarecer se houve vazamento de informações sigilosas da Polícia Federal para integrantes do governo federal, especialmente para o presidente Lula, antes que as investigações se tornassem públicas.

A suspeita surgiu após a revelação de que Marcola recebeu R$ 249 mil da empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por supostas ligações com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos principais investigados no esquema bilionário de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.

Segundo o PL, é necessário apurar se integrantes do Palácio do Planalto tiveram conhecimento antecipado de que a Polícia Federal havia identificado Marcola durante as investigações, circunstância que poderia comprometer a preservação de provas ou permitir a adoção de medidas para dificultar o trabalho investigativo.

Além da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Marcola, o partido pede ao STF autorização para apreender celulares, computadores, mídias eletrônicas e documentos bancários do ex-assessor. Também solicita acesso aos registros de entrada e saída do Palácio do Planalto, do Palácio da Alvorada e do gabinete presidencial nos últimos 30 dias, bem como informações sobre encontros entre o presidente Lula e o diretor-geral da Polícia Federal entre janeiro e julho de 2026.

A iniciativa busca verificar se houve alguma comunicação institucional ou informal relacionada às investigações em andamento.

Empréstimo ou relação sob investigação?

Marcola reconheceu ter recebido recursos de Roberta Luchsinger, mas afirma que a operação financeira teve caráter exclusivamente privado. Segundo sua versão, o dinheiro correspondeu a um empréstimo pessoal, posteriormente quitado, inexistindo qualquer irregularidade.

A explicação, entretanto, não encerrou os questionamentos. O fato de a operação envolver uma empresária investigada pela Polícia Federal e com estreita relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e atualmente investigado em três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência, ampliou a repercussão política do caso.

Após a divulgação dos pagamentos, Marcola deixou a coordenação da campanha à reeleição do presidente Lula, alegando que pretende concentrar esforços em sua defesa.

O pedido apresentado pelo PL ainda será analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que decidirá se autoriza ou não as medidas cautelares solicitadas.


Quem é Marcola?

Nome: Marco Aurélio Santana Ribeiro.

Função: Ex-chefe de gabinete da Presidência da República no terceiro mandato de Lula.

Relação com Lula: É considerado um dos homens de maior confiança do presidente. Entre janeiro de 2023 e junho de 2026, participou de pelo menos 113 reuniões oficiais com Lula no Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada e Granja do Torto.

Cargo: Como chefe de gabinete da Presidência, ocupava um dos postos mais estratégicos do governo, responsável pela coordenação da agenda presidencial e interlocução direta com diversos setores do Executivo.

O caso: Admitiu ter recebido R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada por supostas ligações com o esquema de fraudes no INSS. Afirma que os recursos correspondiam a um empréstimo pessoal já quitado.

Situação atual: Deixou o cargo na campanha presidencial de Lula após a divulgação do caso e passou a concentrar sua atuação na própria defesa enquanto o episódio segue sob análise das autoridades.

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