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Dois caseiros são resgatados de trabalho análogo à escravidão em José de Freitas

Os trabalhadores eram expostos a jornadas exaustivas, exploração e moradias degradantes.

06/08/2026 às 09h01
Por: Suzana Moreno
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Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)
Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Dois trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão durante uma operação realizada em propriedades rurais de José de Freitas, no Norte do Piauí. A ação reuniu auditores fiscais do trabalho, integrantes do Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Polícia Federal e equipes da assistência social. Conforme a Auditoria-Fiscal do Trabalho, trata-se dos primeiros resgates de trabalhadores domésticos registrados no estado.

Em uma das propriedades, os fiscais encontraram um homem que trabalhou por cerca de cinco anos sem receber salário. A vítima realizava diversas atividades rurais e permanecia praticamente o tempo todo na fazenda para vigiar o local. A investigação apontou que o empregador prometeu construir uma nova casa para a família do trabalhador, demoliu a residência antiga, mas não concluiu a obra, mantendo o funcionário dependente do trabalho e sem condições de deixar a propriedade. A fiscalização ainda constatou moradia inadequada, falta de equipamentos de proteção e riscos graves de acidentes durante a execução das atividades.

No segundo caso, um trabalhador de 63 anos foi levado para uma fazenda logo após uma cirurgia oftalmológica. Em vez de permanecer em recuperação, passou a desempenhar tarefas pesadas no manejo de animais, construção de cercas e vigilância da propriedade. Segundo os auditores, ele recebia apenas cerca de R$ 30 por mês após descontos com alimentação, gás e outras despesas. O alojamento apresentava problemas estruturais, instalações elétricas precárias, falta de higiene e armazenamento inadequado de alimentos e produtos químicos.

Após a operação, os dois trabalhadores foram retirados das propriedades e passaram a receber assistência da rede de proteção social. Eles terão acesso ao seguro-desemprego especial destinado às vítimas de trabalho análogo à escravidão, além de acompanhamento para reinserção social. No primeiro caso, o empregador firmou acordo para regularizar a situação trabalhista e pagar indenização. Já no segundo, como não houve acordo, o Ministério Público do Trabalho informou que adotará medidas judiciais para responsabilizar o proprietário da fazenda.

 

 

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