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Polícia CORRUPÇÃO

Marcola e Lulinha ampliam cerco sobre entorno de Lula em investigações da Polícia Federal

Ex-chefe de gabinete da Presidência teve ao menos 113 reuniões com o presidente Lula e admitiu receber R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, empresária investigada pela PF. Lobista também é apontada como pessoa próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que já figura em três inquéritos e é alvo de um quarto pedido de investigação

06/08/2026 às 07h55
Por: Douglas Ferreira
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Marcola deixou a campanha de Lula depois que as denúncias vieram a público - Foto: Reprodução
Marcola deixou a campanha de Lula depois que as denúncias vieram a público - Foto: Reprodução

O avanço das investigações da Polícia Federal sobre as fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem ampliado o foco sobre pessoas que integravam ou mantinham estreita relação com o núcleo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora as investigações ainda estejam em andamento e não haja conclusão judicial sobre eventual responsabilidade dos envolvidos, os inquéritos revelam uma rede de relações que chama a atenção dos investigadores.

No centro dessa rede aparecem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula e considerado um de seus homens de maior confiança durante o atual mandato.

Segundo registros oficiais da agenda presidencial, Marcola participou de pelo menos 113 reuniões com o presidente Lula entre encontros realizados no Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada e Granja do Torto. O número pode ser ainda maior, já que nem todas as reuniões presidenciais constam da agenda pública.

A proximidade política entre os dois, construída ao longo de vários anos, ganhou novo capítulo após a Polícia Federal identificar que Marcola recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, empresária e lobista investigada no contexto das apurações relacionadas às fraudes no INSS.

Em nota pública, Marcola afirmou que os valores corresponderam a um empréstimo pessoal, declarou que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça e negou qualquer irregularidade. Após a divulgação do caso, ele deixou oficialmente a coordenação da campanha presidencial de Lula.

A empresária Roberta Luchsinger também aparece em diversas frentes investigativas por sua relação com pessoas ligadas ao governo federal. A Polícia Federal apura sua atuação e sua proximidade com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado pelos investigadores como personagem central no esquema de descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS.

As investigações estimam que o esquema possa ter causado prejuízos superiores a R$ 6,3 bilhões, atingindo milhões de aposentados e pensionistas em todo o país. Os valores e a extensão das fraudes seguem sendo apurados pelas autoridades.

Outro personagem que permanece no foco das investigações é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho do presidente já é alvo de três inquéritos conduzidos pela Polícia Federal, além de existir um quarto pedido de investigação. As apurações buscam esclarecer suspeitas relacionadas, entre outros pontos, a possível tráfico de influência e eventual atuação junto a investigados nas fraudes do INSS. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre essas investigações.

A relação entre Roberta Luchsinger e Lulinha é considerada um dos principais pontos de interesse dos investigadores. Além da amizade pública entre ambos, a empresária já foi citada em documentos e depoimentos relacionados ao custeio de viagens, utilização de imóvel em Brasília e outros vínculos que passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Federal.

O avanço simultâneo dessas investigações coloca sob escrutínio pessoas que integravam o entorno mais próximo do presidente da República. Embora cada caso tenha objeto próprio e deva ser analisado individualmente, a repetição de personagens e conexões tem ampliado o interesse das autoridades na reconstrução das relações existentes entre empresários, lobistas, auxiliares do governo e pessoas próximas ao núcleo presidencial.

As investigações continuam em andamento no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal. Até o momento, não houve condenações definitivas relacionadas aos fatos mencionados, e os investigados têm negado a prática de irregularidades ou apresentado suas versões às autoridades.

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