
A Polícia Federal ampliou as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria como um dos investigados o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz. A nova fase da Operação Sem Desconto, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado uma complexa estrutura formada por postos de combustíveis, empresas interpostas, sociedades patrimoniais, propriedades rurais, maquinário agrícola e contas bancárias de terceiros para ocultar a origem e a movimentação de recursos que seriam provenientes das supostas fraudes nos descontos ilegais aplicados sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.
A investigação aponta que parte da movimentação financeira ocorria por meio de contas bancárias vinculadas a postos de combustíveis. Conforme a PF, esses recursos eram utilizados para aquisição de fazendas, terrenos, equipamentos agrícolas e para repasses financeiros destinados, em tese, ao senador maranhense.
Os investigadores afirmam ainda que a administração operacional e financeira dos postos seria exercida por uma filha de Weverton Rocha, responsável pelo controle de saldos bancários, pagamentos, transferências, envio de comprovantes, contato com contadores e execução de ordens atribuídas ao parlamentar.
Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça destacou que a hipótese investigativa da Polícia Federal é a existência de uma estrutura destinada a "ocultar ou dissimular a origem, a movimentação, a disponibilidade, a propriedade e a titularidade real de bens, direitos e valores" por meio de empresas, familiares, contratos, registros contábeis, dinheiro em espécie e ativos registrados em nome de terceiros.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes localizaram uma máquina de contar dinheiro na residência de um dos alvos da operação, objeto que passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.
Esta não é a primeira vez que o nome de Weverton Rocha aparece na Operação Sem Desconto. Em dezembro do ano passado, o senador já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da mesma investigação. Na ocasião, a Polícia Federal sustentou que ele poderia ter sido beneficiário de recursos oriundos do esquema liderado, segundo as investigações, pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como "Careca do INSS", apontado como um dos principais operadores das fraudes.
As investigações também registram encontros entre Weverton Rocha e o empresário. Um deles ocorreu em um churrasco realizado na residência do senador, em Brasília. Os dois também foram vistos juntos em dependências do Senado Federal.
O advogado Willer Tomaz negou qualquer participação nas fraudes investigadas. Em nota, afirmou que não é investigado por envolvimento na Operação Sem Desconto e sustentou que sua citação decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada pelo senador Weverton Rocha em uma viagem particular já conhecida publicamente.
Já o senador Weverton Rocha, em manifestação anterior sobre a investigação, declarou ter recebido com surpresa as buscas realizadas em sua residência e afirmou estar à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Até o momento, não há condenação contra os investigados. O caso permanece sob investigação da Polícia Federal, com supervisão do Supremo Tribunal Federal.
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