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Polícia PALÁCIO DO PLANALTO

PF investiga pagamentos de R$ 249 mil feitos por Roberta Luchsinger a ex-chefe de gabinete de Lula

Terceiro inquérito relacionado a Lulinha apura suposto tráfico de influência envolvendo Marco Aurélio Santana, o Marcola. Defesa afirma que valores correspondiam a um empréstimo pessoal

05/08/2026 às 04h00
Por: Douglas Ferreira
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Marcolar e Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução/Imagem editada por IA
Marcolar e Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução/Imagem editada por IA

A empresária e lobista Roberta Luchsinger voltou ao centro de uma investigação da Polícia Federal. Desta vez, o foco recai sobre uma série de pagamentos que, segundo a PF, somam R$ 249 mil em benefício de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que até recentemente ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência da República, atuando na antessala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com a investigação, Marcola teria encaminhado a Roberta códigos de barras de boletos e outras contas pessoais para que fossem quitados diretamente por ela. Segundo a Polícia Federal, esse tipo de pagamento dificulta o rastreamento tradicional da origem dos recursos. Os investigadores também apuram a possibilidade de parte dos valores ter sido entregue em dinheiro vivo.

As informações foram obtidas a partir da extração de conversas encontradas no telefone celular de Roberta Luchsinger. Os pagamentos teriam ocorrido ao longo de 2025, período em que Marcola exercia uma das funções mais estratégicas do Palácio do Planalto, sendo responsável pela agenda presidencial e pela interlocução com ministros de Estado.

Esse episódio passou a integrar o terceiro inquérito que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no Supremo Tribunal Federal. A investigação busca esclarecer se Marco Aurélio Santana teria utilizado a proximidade com o presidente da República para praticar suposto tráfico de influência, favorecendo interesses privados.

Embora Lulinha não seja apontado como destinatário dos pagamentos a Marcola, ele aparece na investigação porque, segundo a linha investigativa da Polícia Federal, Roberta Luchsinger manteria forte atuação junto ao governo em razão da amizade e da proximidade com o filho do presidente.

A relação entre Roberta e Lulinha já havia sido citada em outros procedimentos investigativos. A empresária é amiga pessoal de Lulinha e de sua esposa, Renata Abreu Moreira. Segundo os investigadores, Roberta também custeou uma viagem da família de Lulinha à Finlândia, em janeiro de 2025, além de pagar o aluguel de uma mansão de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, imóvel utilizado pelo filho do presidente quando permanecia na capital federal. Atualmente, Lulinha reside em Madri, na Espanha.

Em depoimento prestado à Polícia Federal, Roberta Luchsinger confirmou ter apresentado Lulinha ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", personagem investigado em outro procedimento relacionado a supostas fraudes envolvendo descontos em benefícios previdenciários. Ela, porém, negou que ambos tenham mantido qualquer parceria de negócios.

O terceiro inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Flávio Dino. Em março deste ano, Dino suspendeu uma decisão que determinava a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Roberta Luchsinger. A empresária já publicou, em suas redes sociais, fotografia ao lado do ministro comemorando sua indicação ao STF, fato citado em reportagens, mas que, por si só, não constitui elemento de prova ou irregularidade.

Defesa

Marco Aurélio Santana negou qualquer prática ilícita. Em nota, afirmou que os R$ 249 mil correspondem exclusivamente a um empréstimo pessoal concedido por Roberta Luchsinger e declarou que o valor foi integralmente devolvido por meio de transferência bancária.

O ex-chefe de gabinete informou ainda que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça, afirmou possuir documentos para comprovar sua versão e declarou que sempre atuou com ética, transparência e está à disposição para colaborar com as investigações.

Até o momento, não há condenação contra Roberta Luchsinger, Marco Aurélio Santana ou Fábio Luís Lula da Silva nesse inquérito. O caso permanece em fase de investigação conduzida pela Polícia Federal, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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