
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto, tendo como alvo familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), atual vice-líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.
A operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes em descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a Polícia Federal, há indícios de utilização de contas bancárias de terceiros, empresas de fachada e saques em espécie para ocultar a origem e o destino dos recursos.
De acordo com a corporação, as investigações começaram após a identificação de movimentações financeiras consideradas atípicas, que indicariam tentativas de esconder valores provenientes das fraudes.
Weverton Rocha é senador pelo Maranhão e ocupa atualmente a função de vice-líder do governo Lula no Senado, atuando como um dos principais articuladores políticos da base governista na Casa.
Nos últimos anos, participou de negociações de projetos de interesse do Palácio do Planalto e teve atuação nas articulações envolvendo indicações para tribunais superiores, incluindo a do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou oficialmente os nomes dos familiares do senador que foram alvo das buscas. A investigação tramita sob sigilo, razão pela qual as identidades dos investigados permanecem preservadas.
Nesta fase da Operação Sem Desconto, a apuração concentra-se em possíveis práticas de:
A Polícia Federal procura esclarecer se familiares do senador participaram dessas movimentações ou se tiveram seus nomes utilizados para ocultar valores oriundos do esquema.
Até o momento, não há denúncia criminal nem condenação relacionada a esses fatos.
A Operação Sem Desconto investiga um suposto esquema que, segundo estimativas da Polícia Federal, pode ter movimentado aproximadamente R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 por meio de descontos associativos considerados irregulares em benefícios previdenciários.
As investigações apontam que aposentados e pensionistas tiveram valores descontados sem autorização ou mediante autorizações supostamente fraudulentas.
O nome de Weverton Rocha já havia surgido em fases anteriores da Operação Sem Desconto.
Em dezembro de 2025, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca relacionados ao senador. Na ocasião, ele afirmou ter recebido a operação com surpresa, colocou-se à disposição das autoridades e negou qualquer envolvimento com irregularidades.
Até o momento, o parlamentar não se manifestou publicamente sobre a nova operação envolvendo seus familiares.
O senador também já foi citado em outras investigações.
Na Operação Odoacro, a Polícia Federal analisou o envio de aproximadamente R$ 34 milhões em emendas parlamentares destinadas a empreiteiras investigadas por supostas fraudes em contratos públicos no Maranhão.
Além disso, Weverton respondeu anteriormente a processos relacionados ao período em que comandou a Secretaria de Esporte do Maranhão, envolvendo questionamentos sobre reformas e contratações sem licitação.
Esses processos, contudo, não resultaram em condenações definitivas, e o senador sempre negou a prática de irregularidades.
A nova fase da Operação Sem Desconto amplia o alcance das investigações sobre um dos maiores escândalos envolvendo benefícios previdenciários no país. Caberá agora à Polícia Federal analisar o material apreendido para verificar se há elementos suficientes para confirmar ou afastar a participação dos investigados nas supostas práticas de lavagem de dinheiro.
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