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Polícia REDE INTERROMPIDA

Operação revela grupo extremista que discutia ataques em Brasília durante as eleições de 2026

Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal aponta planejamento de invasões, uso de explosivos e recrutamento de integrantes em vários estados; até o momento, o caso não foi enquadrado como terrorismo

04/08/2026 às 07h54
Por: Douglas Ferreira
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Operação Rede Interrompida cumprir medidas cautelares contra oito investigados suspeitos de integrar grupo que discutia atentados em Brasília nas eleições de 2026 - Foto: Reprodução
Operação Rede Interrompida cumprir medidas cautelares contra oito investigados suspeitos de integrar grupo que discutia atentados em Brasília nas eleições de 2026 - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira (4), a Operação Rede Interrompida, que investiga um grupo extremista suspeito de planejar ações violentas em Brasília durante o período das eleições de 2026. Segundo a corporação, os investigados discutiam a invasão de prédios públicos, a escolha de alvos estratégicos, o recrutamento de participantes em diversos estados e até o uso de artefatos explosivos, o que acendeu o alerta das autoridades de inteligência.

Ao todo, oito pessoas, com idades entre 19 e 31 anos, são alvo da operação. Mandados judiciais foram cumpridos em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, com o objetivo de apreender celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos que possam esclarecer o grau de organização do grupo.

As investigações começaram após um relatório elaborado pelo Ciberlab, laboratório vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, identificar comunicações suspeitas em ambientes digitais. A partir daí, a Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCev), do Departamento de Inteligência da PCDF, aprofundou a análise do material.

Segundo a Polícia Civil, as conversas revelaram referências frequentes a Brasília como palco de uma mobilização durante o período eleitoral. Os investigados discutiam possíveis invasões de edifícios públicos, estratégias de atuação em grupo, recrutamento de novos participantes e compartilhavam mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de construções localizadas na região central da capital federal.

Outro elemento considerado grave pelos investigadores foi a circulação de conteúdos relacionados a artefatos explosivos. A polícia afirma ter identificado o compartilhamento de manuais sobre explosivos entre integrantes do grupo, circunstância que reforçou a necessidade das medidas cautelares para preservar provas e impedir eventual evolução do planejamento criminoso.

Quem é o grupo?

Até o momento, a Polícia Civil não divulgou o nome do grupo investigado, nem informou que ele pertença a uma organização formalmente constituída. Também não há confirmação de que possua ligação com facções criminosas, como PCC ou Comando Vermelho, ou com organizações terroristas internacionais.

Segundo a investigação, o que existe até agora é a identificação de uma rede de pessoas articuladas por meios digitais, compartilhando conteúdo extremista e discutindo ações violentas. O objetivo da operação é justamente esclarecer se havia uma organização estruturada, quem exercia liderança, qual era o grau de coordenação entre os participantes e se o plano chegou a uma fase operacional.

Como o grupo atuava?

As apurações indicam que a rede possuía características típicas de grupos extremistas organizados pela internet.

Entre os elementos identificados estão:

  • recrutamento de participantes em diferentes estados;
  • divisão de tarefas e formação tática;
  • escolha de possíveis alvos;
  • compartilhamento de mapas e plantas de edifícios públicos;
  • troca de mensagens sobre deslocamentos para Brasília;
  • circulação de material relacionado a explosivos.

A análise do conteúdo apreendido deverá indicar se existia hierarquia definida e qual era o nível de preparo dos investigados.

O objetivo

Segundo a Polícia Civil, os diálogos apontam que o grupo pretendia promover ações violentas durante o processo eleitoral de 2026, utilizando Brasília como principal cenário.

Os investigadores procuram esclarecer se havia intenção de atacar instituições públicas, provocar pânico social, interromper atividades do processo democrático ou praticar outros crimes.

Até o momento, a polícia afirma que as medidas adotadas tiveram caráter preventivo para impedir que eventuais planos avançassem.

Houve prisões?

Até a divulgação da operação, a Polícia Civil informou o cumprimento de medidas cautelares contra oito investigados, principalmente mandados de busca e apreensão. A corporação não confirmou prisões decorrentes da operação nem divulgou a identidade dos investigados.

Terrorismo?

Apesar da gravidade das suspeitas, a própria Polícia Civil ressaltou que, neste estágio das investigações, os fatos ainda não foram enquadrados na Lei Antiterrorismo.

O inquérito apura, em tese, crimes como:

  • associação criminosa;
  • incitação ao crime;
  • apologia ao crime ou criminoso;
  • delitos previstos na legislação antirracismo.

O eventual enquadramento em terrorismo dependerá do avanço das investigações e da análise do material apreendido.

A Operação Rede Interrompida demonstra que as autoridades brasileiras ampliaram o monitoramento de redes digitais voltadas ao extremismo violento, especialmente diante do risco de ações coordenadas contra instituições democráticas durante o período eleitoral. A investigação permanece sob sigilo, e a responsabilização individual de cada investigado dependerá da perícia dos equipamentos apreendidos e da conclusão do inquérito.

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