
O governo dos Estados Unidos abriu uma nova frente de pressão econômica contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR, anunciou a proposta de aplicar tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida ainda não entrou em vigor, mas acendeu o alerta vermelho no Palácio do Planalto e no setor produtivo nacional.
A ofensiva, no entanto, não atinge todos os produtos. Itens considerados estratégicos para a economia americana, como café, petróleo, minérios, carne bovina e algumas commodities agrícolas, ficaram fora da lista das punições mais pesadas.
Na prática, Washington acusa o Brasil de manter políticas consideradas “injustas” para empresas americanas. Entre as críticas estão decisões do Judiciário brasileiro contra plataformas digitais dos EUA, supostas barreiras comerciais, falhas no combate à corrupção, problemas relacionados à propriedade intelectual, restrições ao etanol americano e até a questão do desmatamento ilegal.
O governo americano afirma que determinadas práticas brasileiras “oneram e restringem” o comércio dos Estados Unidos e, por isso, poderiam ser enquadradas na chamada Seção 301 da Lei de Comércio — um instrumento usado pelos EUA para retaliar países acusados de práticas comerciais desleais.
O caso lembra o estilo agressivo de negociação adotado por Donald Trump em sua política comercial internacional. Embora ainda exista espaço para negociação, a ameaça já gera preocupação entre empresários e exportadores brasileiros.
Segundo o embaixador Jamieson Greer, o governo americano vem tentando negociar soluções com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas as divergências continuam profundas.
Entre os principais pontos levantados pelos EUA estão:
Antes de qualquer punição definitiva, os EUA realizarão audiências públicas e consultas com setores econômicos. A audiência principal está marcada para julho de 2026. O prazo final para eventual aplicação das chamadas “medidas corretivas” termina no dia 15 do mesmo mês.
Nos bastidores, o governo brasileiro já esperava novas sanções vindas de Washington. A avaliação em Brasília era de que os americanos aumentariam a pressão comercial, mas sem uma ruptura imediata.
Agora, o temor é que a disputa ultrapasse o campo econômico e se transforme também em uma crise diplomática entre as duas maiores economias do continente.
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