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Economia TARIFA DE IMPORTAÇÃO

EUA ameaçam Brasil com tarifaço de 25% e ampliam tensão comercial

Governo americano acusa Brasil de práticas comerciais desleais, critica decisões judiciais, desmatamento e barreiras econômicas; commodities estratégicas ficaram fora da proposta de sanção.

02/06/2026 às 05h52
Por: Douglas Ferreira
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Trump e Lula durante encontro na Casa Branca - Foto: Reprodução
Trump e Lula durante encontro na Casa Branca - Foto: Reprodução

O governo dos Estados Unidos abriu uma nova frente de pressão econômica contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR, anunciou a proposta de aplicar tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida ainda não entrou em vigor, mas acendeu o alerta vermelho no Palácio do Planalto e no setor produtivo nacional.

A ofensiva, no entanto, não atinge todos os produtos. Itens considerados estratégicos para a economia americana, como café, petróleo, minérios, carne bovina e algumas commodities agrícolas, ficaram fora da lista das punições mais pesadas.

Na prática, Washington acusa o Brasil de manter políticas consideradas “injustas” para empresas americanas. Entre as críticas estão decisões do Judiciário brasileiro contra plataformas digitais dos EUA, supostas barreiras comerciais, falhas no combate à corrupção, problemas relacionados à propriedade intelectual, restrições ao etanol americano e até a questão do desmatamento ilegal.

O governo americano afirma que determinadas práticas brasileiras “oneram e restringem” o comércio dos Estados Unidos e, por isso, poderiam ser enquadradas na chamada Seção 301 da Lei de Comércio — um instrumento usado pelos EUA para retaliar países acusados de práticas comerciais desleais.

O caso lembra o estilo agressivo de negociação adotado por Donald Trump em sua política comercial internacional. Embora ainda exista espaço para negociação, a ameaça já gera preocupação entre empresários e exportadores brasileiros.

Segundo o embaixador Jamieson Greer, o governo americano vem tentando negociar soluções com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas as divergências continuam profundas.

Entre os principais pontos levantados pelos EUA estão:

  • decisões judiciais brasileiras contra empresas americanas de redes sociais;
  • favorecimento comercial a países como México e Índia;
  • críticas ao combate à corrupção;
  • pirataria e demora na análise de patentes;
  • tarifas sobre o etanol americano;
  • falhas no combate ao desmatamento ilegal.

Antes de qualquer punição definitiva, os EUA realizarão audiências públicas e consultas com setores econômicos. A audiência principal está marcada para julho de 2026. O prazo final para eventual aplicação das chamadas “medidas corretivas” termina no dia 15 do mesmo mês.

Nos bastidores, o governo brasileiro já esperava novas sanções vindas de Washington. A avaliação em Brasília era de que os americanos aumentariam a pressão comercial, mas sem uma ruptura imediata.

Agora, o temor é que a disputa ultrapasse o campo econômico e se transforme também em uma crise diplomática entre as duas maiores economias do continente.

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