
A ausência de merenda escolar nas creches municipais de Teresina não é apenas uma falha administrativa; é uma crise que compromete a saúde e o desenvolvimento de centenas de crianças. No Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Júlio Romão, localizado na Zona Sudeste, essa realidade se tornou alarmante. Com a falta de repasse de merenda para o mês de outubro, cerca de 300 crianças foram forçadas a voltar para casa às 11h de um dia de aula, sem qualquer explicação da Secretaria Municipal de Educação (Semec).
Este episódio expõe uma gestão que parece ignorar suas responsabilidades mais básicas. A creche, que deveria funcionar em tempo integral, foi reduzida a meio período por conta da falta de alimentação. A diretora, Francisca Sereja, manifestou sua frustração, ressaltando que manter crianças sem comida seria uma "irresponsabilidade". E, em um momento em que a merenda escolar muitas vezes representa a única fonte de alimento para muitas dessas crianças, a situação se torna ainda mais crítica.
Os pais, que dependem das creches como um espaço seguro onde podem deixar seus filhos enquanto trabalham, estão em um estado de desespero e indignação. “Não tenho rede de apoio, então foi um susto para mim”, disse uma mãe, explicando como a situação a forçou a sair do trabalho para buscar seu filho. Esse desamparo revela a falta de planejamento e de prioridade da gestão municipal com a educação infantil e a primeira infância.
A Semec, procurada pela imprensa, se absteve de comentar a situação, deixando pais e educadores sem respostas. É inaceitável que uma secretaria responsável por garantir a educação e a alimentação das crianças se omita em um momento tão crítico. A ausência de merenda é uma violação dos direitos das crianças e uma grave falha de responsabilidade por parte da administração pública.
O que está em jogo aqui não é apenas a alimentação; é o futuro de uma geração. A falta de investimento na educação infantil e na merenda escolar não é apenas uma questão de logística, mas uma questão de prioridade e de compromisso com o bem-estar das crianças. Se a gestão municipal não toma ações imediatas para resolver essa crise, as consequências serão profundas e imprevisíveis, afetando não apenas a educação, mas a saúde e o desenvolvimento de milhares de crianças em Teresina. É hora de exigir uma mudança real e urgente, para que a educação infantil não continue a ser deixada de lado em meio a promessas vazias.
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