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Polícia TROCA DE DELEGADO

“Incômodo” de André Mendonça com troca de delegado da PF amplia repercussão sobre investigação de Lulinha

Mudança no comando da apuração envolvendo Fábio Luís Lula da Silva gerou reações no STF, Senado e redes sociais, aumentando pressão por transparência nas investigações

16/05/2026 às 10h22 Atualizada em 16/05/2026 às 10h54
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações DP
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Ministro André Mendonça - Foto: Reprodução
Ministro André Mendonça - Foto: Reprodução

A substituição do delegado da Polícia Federal que conduzia a investigação relacionada ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, provocou forte repercussão nos bastidores da política, do Judiciário e também entre setores empresariais e da sociedade civil.

O tema rapidamente ganhou força nas redes sociais e passou a ser amplamente debatido por parlamentares da oposição e integrantes da CPMI do INSS. Apesar disso, críticos apontam que grande parte da mídia tradicional tem tratado o assunto com pouca intensidade ou quase nenhum destaque proporcional à gravidade política das suspeitas levantadas.

O delegado Guilherme Figueiredo Silva era responsável pela Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e conduzia investigações relacionadas à suposta ligação entre Lulinha e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos aplicados sobre aposentados e pensionistas.

Segundo as investigações, a Polícia Federal apura suspeitas de triangulação financeira, uso de empresas de fachada, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, organização criminosa e tráfico de influência.

A decisão de transferir a investigação da Divisão de Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores provocou reação imediata no Congresso Nacional.

O senador Carlos Viana, ex-presidente da CPMI do INSS, encaminhou ofício questionando oficialmente a direção-geral da Polícia Federal sobre a mudança no comando da investigação.

Já o deputado Alfredo Gaspar, ex-relator da CPMI, fez duras críticas à troca do delegado.

“Não podemos aceitar aparelhamento dentro de uma instituição tão importante”, afirmou. “Não pode existir investigação sob suspeita de interferência política. A lei deve valer para todos”.

Gaspar também declarou que, durante os trabalhos da CPMI, pediu o indiciamento de Lulinha por considerar haver indícios relevantes de vínculos com o chamado “Careca do INSS”.

“E a Polícia Federal seguia o mesmo caminho. O Brasil não aceita blindagem”, destacou em postagem nas redes sociais.

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, o episódio também teria provocado desconforto. Segundo relatos políticos, o ministro André Mendonça demonstrou incômodo com a substituição do delegado, embora sem manifestação pública oficial. Pelo menos por enquanto.

A Polícia Federal, por sua vez, negou qualquer interferência política e afirmou que houve apenas uma reorganização administrativa da investigação.

Em nota, a corporação declarou que a mudança “foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a Cinq possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o STF”.

A defesa de Lulinha também rejeita qualquer irregularidade. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou não enxergar motivação política na substituição do delegado e disse que o presidente Lula sempre defendeu a autonomia institucional da Polícia Federal. Mas, a movimentação na PF causa dúvidas e especulações.

Segundo a defesa, Lulinha apenas conheceu Antônio Camilo Antunes por meio de uma amiga em comum e não possui participação em qualquer esquema criminoso investigado. Entretanto, viajou com ele para a Europa.

Mesmo assim, o episódio ampliou o clima de tensão política em Brasília. Para setores da oposição, a troca do delegado no meio de uma investigação sensível inevitavelmente levanta suspeitas e amplia a cobrança pública por transparência nas apurações.

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