
Os números divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo revelam um retrato preocupante da economia brasileira sob o terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O país atingiu em abril de 2026 o maior índice de endividamento familiar da série histórica. Mais de 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida. É como se praticamente cada casa do país carregasse uma mochila cheia de boletos, juros e parcelas acumuladas mês após mês.
O fenômeno não surgiu do nada. O endividamento recorde é resultado de uma combinação pesada entre inflação persistente, perda do poder de compra, crédito fácil com juros elevados e aumento do custo de vida. O brasileiro não se endividou apenas para consumir luxo ou ostentação. Em muitos casos, a dívida virou mecanismo de sobrevivência. O cartão de crédito passou a funcionar como extensão do salário. O problema é que esse “salário artificial” cobra juros que parecem bola de neve descendo serra abaixo.
A pesquisa mostra que o cartão de crédito continua sendo o principal vilão do orçamento doméstico. Em seguida aparecem carnês de loja e crédito pessoal. São modalidades justamente conhecidas pelas taxas elevadas de juros. O cidadão compra comida hoje e paga duas ou três vezes o valor amanhã. É como tentar apagar incêndio jogando gasolina no fogo.
A situação se agrava porque o endividamento avançou em todas as faixas de renda. As famílias mais pobres foram as mais atingidas. Entre quem ganha até três salários mínimos, mais de 83% possuem dívidas e quase 40% já enfrentam contas em atraso. Mas o sufoco também chegou à classe média e até às faixas de renda mais altas. O problema deixou de ser localizado e passou a contaminar praticamente toda a estrutura econômica das famílias brasileiras.
Outro dado alarmante é o crescimento da inadimplência. Quase 30% das famílias já possuem contas atrasadas. E dentro desse grupo, quase metade acumula débitos vencidos há mais de 90 dias. Isso revela um quadro onde milhões de brasileiros simplesmente perderam capacidade de reação financeira. O orçamento doméstico virou uma espécie de cobertor curto. Quando cobre o aluguel, descobre a alimentação. Quando paga a energia, falta para o remédio.
Os juros altos também desempenham papel central nesse cenário. A manutenção da taxa Selic em patamares elevados encarece financiamentos, empréstimos e o próprio rotativo do cartão de crédito. O consumidor entra no crédito tentando respirar e acaba afundando ainda mais. O resultado é um país onde boa parte da população vive permanentemente no limite entre pagar a parcela ou atrasar mais uma conta.
Alguns setores sentem esse impacto de forma mais intensa. O varejo, especialmente lojas de eletrodomésticos, móveis, vestuário e supermercados, convive com crescimento das vendas parceladas e também com aumento da inadimplência. Instituições financeiras e operadoras de cartão igualmente observam avanço dos atrasos nos pagamentos. Até serviços essenciais como energia, água e telefonia começaram a registrar dificuldades maiores de quitação por parte dos consumidores.
O cenário ainda produz efeitos sociais silenciosos. O endividamento prolongado afeta saúde mental, consumo, produtividade e estabilidade familiar. O brasileiro trabalha mais, ganha menos em termos reais e depende cada vez mais de crédito para manter despesas básicas. A sensação é de uma economia que gira, arrecada, tributa e consome, mas não consegue devolver segurança financeira à população.
Diante desse quadro, o Governo Federal aposta no lançamento do Desenrola 2.0 como tentativa de aliviar parte das dívidas acumuladas. O problema é que renegociar dívida sem resolver inflação, juros elevados e perda de renda pode acabar funcionando como enxugar gelo em dia de sol forte. O brasileiro renegocia hoje, mas volta a se endividar amanhã porque o custo de vida continua pressionando cada canto do orçamento doméstico.
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