
O Uruguai pode ser pequeno em população, território e tamanho da economia, mas tem conseguido algo que o Brasil ainda busca: confiança. Nos últimos anos, o país vizinho passou a atrair empresas e profissionais brasileiros, impulsionado por regras mais claras, estabilidade e menor risco jurídico. Enquanto isso, o Brasil continua lidando com mudanças frequentes de normas, sistema tributário complexo e insegurança para quem quer investir.
Especialistas apontam que essa diferença não é passageira, mas resultado de escolhas feitas ao longo do tempo. O economista Izak Carlos destaca que o Uruguai construiu um ambiente institucional mais sólido, com respeito a contratos, menos interferência do Estado e regras previsíveis. Isso reduz o custo de investir e torna o país mais atrativo. Já no Brasil, apesar de um sistema financeiro mais desenvolvido, o excesso de burocracia e a instabilidade aumentam os riscos e afastam investidores.
Os números ajudam a explicar essa percepção. Em rankings internacionais, o Uruguai aparece bem à frente do Brasil em critérios como liberdade econômica, regulação e proteção à propriedade. Para o economista Claudio Shikida, o capital segue um caminho simples: vai para onde há mais segurança e chance de retorno. Nesse cenário, empreendedores tendem a evitar ambientes onde há incerteza constante e dificuldade para operar.
Mesmo com vantagens, o Uruguai não é perfeito. Sua economia é menor, menos diversificada e mais dependente de commodities, o que traz vulnerabilidades. Ainda assim, o país tem se consolidado como um destino de brasileiros que buscam diversificar patrimônio e viver com mais previsibilidade. Cidades como Punta del Este e Montevidéu já registram aumento na presença de investidores do Brasil, refletindo um movimento que cresce desde a pandemia e levanta um alerta: enquanto o vizinho simplifica, o Brasil ainda complica.
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