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Acordo entre Mercosul e União Europeia é oficializado no Brasil e começa a valer em 1º de maio

Após quase três décadas de negociações, tratado entre Mercosul e União Europeia entra em fase inicial e promete mexer com tarifas, investimentos e competitividade

28/04/2026 às 20h49 Atualizada em 29/04/2026 às 08h38
Por: Wagner Albuquerque
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo Mercosul-UE - Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo Mercosul-UE - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Brasil concluiu a etapa interna de um dos acordos comerciais mais ambiciosos de sua história. A partir de 1º de maio, o tratado entre Mercosul e União Europeia começa a valer de forma provisória no país, permitindo a aplicação gradual das regras enquanto o processo segue em análise na Europa. A promulgação ocorre após aprovação no Congresso Nacional e a troca de notificações entre os blocos, encerrando um ciclo de 27 anos de negociações.

O acordo envolve cerca de 720 milhões de pessoas e economias que somam mais de 20 trilhões de dólares. Na prática, abre caminho para uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A expectativa é de redução progressiva de tarifas, maior acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu e ampliação da presença de bens e serviços europeus no Brasil. O movimento deve aumentar a concorrência interna e atrair novos investimentos, com impacto direto em diversos setores produtivos.

Durante discurso, o presidente Lula destacou a longa demora para a conclusão do tratado e criticou o que chamou de barreiras históricas impostas a países em desenvolvimento. Ele afirmou que o acordo foi conquistado com esforço e resistência e defendeu que o Brasil passe a negociar em condições mais equilibradas no cenário internacional. Também citou medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos nos últimos anos e disse que o país optou por diversificar parcerias em vez de reagir de forma passiva.

Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta resistência dentro da União Europeia, especialmente em países com forte setor agrícola e preocupações ambientais. A França, por exemplo, já sinalizou que pode adotar medidas próprias para proteger produtores locais. Mesmo assim, essas divergências não impedem o início da fase provisória. A entrada em vigor completa ainda depende da aprovação de todos os países envolvidos, o que pode prolongar o processo e manter o acordo sob tensão política nos próximos anos.

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