Domingo, 28 de Junho de 2026
26°

Tempo nublado

Teresina, PI

Economia ESTATAIS FEDERAIS

Rombo bilionário expõe má gestão: estatais caminham para déficit histórico sob governo Lula 3

Projeção de prejuízo de R$ 7,5 bilhões em 2027 revela deterioração das contas e levanta alerta sobre condução econômica e uso político das estatais

17/04/2026 às 08h29 Atualizada em 17/04/2026 às 11h25
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Presidente Lula da Silva - Foto: Reprodução
Presidente Lula da Silva - Foto: Reprodução

Os números projetados pelo governo para as estatais federais não são apenas frios registros contábeis. Eles funcionam como um termômetro que revela uma febre que já vinha sendo diagnosticada há anos. O déficit previsto de R$ 7,5 bilhões em 2027 não surge como surpresa. Surge como consequência. Como uma conta que foi sendo empurrada para frente até se tornar inevitável.

Desde 2023, alertas foram feitos por economistas e agentes políticos sobre os riscos de uma condução econômica baseada mais em expectativas do que em fundamentos sólidos. Ignorar esses sinais foi como dirigir em alta velocidade olhando apenas para o retrovisor. O resultado aparece agora na forma de estatais que antes operavam com resultados positivos e passam a acumular prejuízos sucessivos, como uma engrenagem que começa a falhar e compromete todo o sistema.

O erro central parece residir na combinação de decisões. Expansão de gastos sem contrapartida clara de eficiência. Uso de estatais como instrumentos de políticas públicas sem o devido equilíbrio financeiro. Flexibilização de metas que, na prática, funcionam como atalhos contábeis. É como tentar manter uma casa de pé reforçando apenas a fachada enquanto a estrutura interna se deteriora.

Os próprios números revelam essa deterioração progressiva. Em 2023, o déficit ainda era relativamente controlado. Em 2024, ele já salta de forma expressiva. Em 2025, se mantém elevado. E as projeções até 2030 indicam que o problema não é pontual. É estrutural. Não se trata de um soluço nas contas públicas, mas de uma mudança de padrão.

O impacto disso na economia é direto e indireto. Direto porque prejuízos em estatais pressionam as contas públicas, reduzem a capacidade de investimento e aumentam o risco fiscal. Indireto porque afetam a confiança. Investidores observam esses sinais como um médico observa exames alterados. Quando o diagnóstico aponta deterioração, a reação natural é cautela.

Na vida do cidadão, o efeito é menos visível, mas não menos real. Déficits recorrentes podem significar menos investimentos em áreas essenciais, maior pressão por aumento de impostos ou cortes futuros. É como uma conta invisível que, cedo ou tarde, chega ao contribuinte.

O governo argumenta que parte desses números está ligada a investimentos e programas de reequilíbrio, como se o prejuízo de hoje fosse o preço de um ajuste futuro. Essa lógica não é inédita. O problema é que, sem medidas estruturais claras, ela se assemelha a uma promessa de recuperação baseada mais em intenção do que em evidência concreta.

A pergunta que permanece é simples e incômoda. O governo errou apenas no diagnóstico ou também na condução do tratamento. Porque, até aqui, os sinais indicam que a doença fiscal não apenas persiste, como avança. E quando o próprio planejamento oficial admite riscos de descumprimento de metas, o alerta deixa de ser externo e passa a ser interno.

O risco de o rombo ser ainda maior não pode ser descartado. Em cenários de instabilidade econômica, projeções otimistas tendem a se mostrar frágeis. É como calcular uma viagem longa subestimando o consumo de combustível. A margem de erro pode custar caro.

No fim, os números contam uma história que vai além das planilhas. Revelam escolhas. E, principalmente, as consequências dessas escolhas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários