
Enquanto grande parte dos Estados do Nordeste enfrenta dificuldades para acelerar suas economias, um Estado da região Norte segue na contramão da estagnação. O Tocantins transformou-se, nas últimas três décadas, em um dos casos mais expressivos de crescimento econômico do país. Os números não deixam dúvidas. O Produto Interno Bruto estadual avançou impressionantes 593,8% entre 1995 e 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Em termos absolutos, a economia tocantinense saltou de R$ 1,84 bilhão para R$ 75,25 bilhões. A projeção mais recente indica que o PIB estadual pode alcançar R$ 80,9 bilhões até o final de 2025. O resultado coloca o estado como o segundo maior crescimento econômico do Brasil no período.
A pergunta inevitável surge diante desse desempenho. O que explica essa expansão acelerada enquanto outras regiões caminham em ritmo bem mais lento.
A resposta é direta e pouco misteriosa. Agronegócio.
Assim como ocorreu em estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Tocantins decidiu apostar na produção agropecuária em larga escala. Investiu em tecnologia, abriu novas áreas agrícolas, ampliou a logística de escoamento e criou um ambiente favorável ao setor produtivo.
O resultado está sendo colhido agora. Literalmente.
O estado tornou-se parte da mais nova e promissora fronteira agrícola do país, conhecida como Matopiba. Nessa região, o avanço da agricultura mecanizada e altamente tecnificada vem redesenhando o mapa da produção de grãos no Brasil.
O crescimento do campo não ocorreria com a mesma intensidade sem um fator decisivo. Logística.
O estado passou a integrar corredores estratégicos de transporte que reduziram custos e facilitaram o escoamento da produção agrícola. Entre os principais eixos logísticos está a Ferrovia Norte-Sul, que conecta o interior do país a portos das regiões Norte, Nordeste e Sudeste.
No transporte rodoviário, duas artérias são fundamentais para a economia estadual. A BR-153 funciona como o principal corredor de circulação de cargas. Já a BR-010 amplia o acesso aos portos do chamado Arco Norte.
A integração entre esses modais transformou cidades estratégicas como Porto Nacional em polos logísticos de armazenamento e distribuição de grãos.

O agronegócio é hoje a principal força econômica do estado. A produção agrícola cresce impulsionada por tecnologia, mecanização e expansão das áreas cultivadas.
Na safra 2024/2025, o Tocantins produziu aproximadamente 9,46 milhões de toneladas de grãos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento.
A soja lidera com folga. O grão responde por cerca de 5,8 milhões de toneladas, representando mais de 60% da produção estadual.
Esse crescimento não fica restrito ao campo. Ele gera efeito cascata sobre a economia. A agropecuária movimenta transporte, comércio, indústria de insumos, armazenamento, crédito rural e serviços técnicos especializados.
O avanço da produção agrícola impulsiona também o comércio exterior. Em 2025, o Tocantins alcançou US$ 3 bilhões em exportações, crescimento de 21,7% em relação ao ano anterior.
A pauta exportadora é dominada por commodities agrícolas e minerais. Soja, carne bovina e ouro lideram as vendas internacionais. A China aparece como principal destino, seguida por mercados da Ásia e da Europa.
Para o governador Wanderlei Barbosa, o desempenho positivo é resultado de uma equação simples. Cooperação entre governo, setor produtivo e sociedade.
Segundo ele, políticas públicas voltadas à infraestrutura, segurança jurídica e estímulo ao investimento privado contribuíram para consolidar o crescimento econômico.
Diante desse cenário, surge uma questão inevitável. Se o modelo funciona em Tocantins, Goiás e Mato Grosso, por que tantos estados ainda resistem a seguir a mesma rota.
A resposta não é simples. Envolve escolhas políticas, visão estratégica e capacidade de planejamento de longo prazo.
O fato concreto é que o Tocantins decidiu apostar no agro e a estratégia deu resultado. Enquanto algumas economias regionais ainda tentam descobrir qual caminho seguir, o estado já está colhendo os frutos da decisão tomada décadas atrás. Frutos que hoje aparecem em forma de crescimento econômico, exportações e geração de empregos.
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