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Educação POLÍTICA EDUCACIONAL

Professor no Piauí ganha pouco e o ranking nacional escancara a contradição

Enquanto estados pagam mais de R$ 13 mil a professores, o Piauí segue entre os que remuneram mal a categoria

11/03/2026 às 13h47 Atualizada em 12/03/2026 às 10h42
Por: Douglas Ferreira
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Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA
Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA

O discurso oficial costuma repetir que educação é prioridade. Mas quando se olha para o bolso de quem ensina, a realidade muda de figura. O ranking nacional de salários pagos a professores da rede estadual mostra um contraste que beira o constrangimento: o Piauí figura entre os estados que pagam mal seus docentes.

O estado é governado por Rafael Fonteles, do Partido dos Trabalhadores, cuja narrativa política historicamente se apresenta como defensora da educação pública. Na prática, porém, o salário pago ao professor piauiense está longe de figurar entre os melhores do país.

O tamanho da diferença

Hoje, a remuneração média inicial de um professor da rede estadual do Piauí gira em torno de R$ 5 mil a R$ 5,5 mil para jornada de 40 horas semanais, valor que fica apenas um pouco acima do piso nacional da categoria.

Ou seja: o Piauí cumpre o mínimo, e praticamente para por aí.

Enquanto isso, em outras partes do Brasil, a realidade é completamente diferente. No topo do ranking aparece o estado de Mato Grosso do Sul, onde o salário inicial de um professor ultrapassa R$ 13 mil mensais.

O detalhe político chama atenção: o estado é governado por Eduardo Riedel, do Progressistas. Traduzindo em números simples: um professor em Mato Grosso do Sul pode ganhar mais que o dobro do que recebe um professor no Piauí.

Comparação que dói

Se fosse uma corrida de 100 metros, o professor de Mato Grosso do Sul já estaria cruzando a linha de chegada, enquanto o professor piauiense ainda estaria procurando o tênis para correr.

A diferença não é apenas estatística. É estrutural. Ela revela algo que raramente entra no debate político: prioridade não se mede por discurso, mas por orçamento.

Educação no discurso, contenção na folha

O Piauí costuma aparecer em relatórios educacionais como um estado que investe em inovação, tecnologia educacional e modernização administrativa. Mas existe um detalhe incômodo nessa narrativa: o principal agente da educação continua sendo o professor.

Não existe algoritmo que substitua um bom docente.
Não existe plataforma digital que compense um salário desvalorizado.

Quando o professor ganha pouco, a mensagem enviada à sociedade é simples e brutal:
educar importa, mas não tanto assim.

A ferida aberta

O contraste entre Estados governados por diferentes espectros políticos mostra algo curioso: não existe monopólio ideológico da valorização docente.

Enquanto um estado governado por um partido de centro-direita paga os maiores salários do país, um Estado administrado por um partido historicamente ligado à defesa da educação mantém remuneração apenas mediana.

É como se o discurso fosse uma aula teórica brilhante, mas na prática o professor continuasse recebendo nota baixa.

O paradoxo piauiense

O Piauí gosta de se apresentar como um laboratório educacional. Mas quando se analisa a remuneração docente, a sensação é outra.

É como montar uma escola moderna, equipada com computadores, internet rápida e inteligência artificial… mas esquecer de pagar bem quem está na sala de aula.

E aí surge a pergunta que nenhum ranking consegue esconder:

Se educação é prioridade, por que o salário do professor não reflete isso?

 

 

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