
“Contra fatos não há argumentos.” A máxima popular ganhou força após a divulgação do Censo Escolar 2025, que revelou uma queda de 1.070.542 matrículas na educação básica em apenas um ano. O dado contrasta com o discurso oficial de fortalecimento da permanência escolar e ocorre em meio à promoção de programas como o Pé-de-Meia.
Segundo o levantamento do Ministério da Educação, o Brasil contabilizou 46.018.380 estudantes em 2025. A redução atingiu todas as etapas de ensino.
Queda em todas as frentes
Educação infantil, creche + pré-escola: 9.286.182, -205.712
Ensino fundamental: 25.806.767, -195.589
Ensino médio: 7.370.879, -419.517
Formação Inicial e Continuada, FIC: 99.787, -5.862
Educação de Jovens e Adultos, EJA: 2.252.069, -139.250
O dado mais simbólico está no ensino médio. Com 7,37 milhões de estudantes, o país registra o menor número do século XXI. Desde o pico histórico de 9,16 milhões em 2004, a tendência é de retração contínua.
Em números absolutos, São Paulo liderou a queda no ensino médio, com 251.987 alunos a menos, 13,6%. Outros estados também registraram retração significativa:
Roraima: 7,06%
Acre: 7,02%
Paraná: 6,74%
Bahia: 6,17%
Público x privado
Na rede pública, as matrículas caíram de 6.759.848 para 6.334.224, 6,3%.
Na rede privada, houve leve crescimento: de 1.030.548 para 1.036.655, 0,59%.
Menos alunos ou mais eficiência?
O MEC sustenta que a redução não significa evasão generalizada. Segundo técnicos do Inep, a queda está relacionada principalmente à diminuição da população em idade escolar e à melhora no fluxo educacional.
A distorção idade-série no ensino médio da rede pública caiu de 27,9% em 2021 para 17,6% em 2024. No 3º ano, a redução foi de 61% entre 2022 e 2025. Em tese, menos repetência significa menos alunos “retidos” artificialmente no sistema.
Especialistas também apontam que a certificação do ensino médio via nota do Enem pode ter acelerado a conclusão de estudos.
Ainda assim, o dado bruto impressiona: menos matrículas em todas as etapas, inclusive nas obrigatórias.
Creches, avanço lento
Na educação infantil, especialmente nas creches, 0 a 3 anos, o crescimento foi considerado tímido. A proporção de crianças de 2 a 3 anos fora da creche por falta de vagas permanece em torno de 39% desde 2019, segundo dados da Pnad.
Embora o governo prometa a construção de 2.500 novas unidades até 2026 pelo Novo PAC, especialistas alertam que apenas ampliar vagas não resolve. Qualidade pedagógica, formação docente e integração com políticas de saúde e assistência social são apontadas como fundamentais.
EJA em declínio histórico
A Educação de Jovens e Adultos perdeu alunos pelo oitavo ano consecutivo e atingiu seu menor patamar desde 1996. O cenário contrasta com o fato de que quase metade da população com mais de 25 anos não concluiu o ensino médio.
O desafio é duplo: manter jovens na escola regular e reengajar adultos que abandonaram os estudos.
O debate que se impõe
Os dados permitem duas leituras distintas:
Leitura crítica: queda expressiva revela fragilidade na política educacional e possível falha na permanência escolar.
Leitura técnica: redução demográfica e melhora no fluxo explicam o encolhimento do sistema sem representar retrocesso na escolarização.
O que os números mostram é um sistema menor. O que ainda precisa ficar claro é se ele está mais eficiente, ou apenas encolhendo.
Diante de uma redução superior a um milhão de matrículas em um único ano, o debate sobre políticas de permanência, qualidade do ensino e desigualdades regionais tende a ganhar ainda mais centralidade nos próximos meses.
ENSINO PRIVADO Piauí dá aula ao Brasil: duas escolas estão entre as 10 melhores do país no Enem
Qualificação SENAI Teresina abre matrículas para cursos de qualificação e formação técnica
ENEM 2026 Enem 2026: candidatos têm até sexta para se inscrever pela internet Mín. 23° Máx. 32°