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Educação EVASÃO ESCOLAR

Um milhão a menos: Censo Escolar expõe queda histórica nas matrículas e desafia discurso oficial

Ensino médio atinge o menor número de alunos do século; governo atribui recuo à demografia e à melhora no fluxo escolar

27/02/2026 às 10h54
Por: Douglas Ferreira
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Brasil apresentou queda de alunos em todas as etapas em 2025 - Foto: Reprodução
Brasil apresentou queda de alunos em todas as etapas em 2025 - Foto: Reprodução

“Contra fatos não há argumentos.” A máxima popular ganhou força após a divulgação do Censo Escolar 2025, que revelou uma queda de 1.070.542 matrículas na educação básica em apenas um ano. O dado contrasta com o discurso oficial de fortalecimento da permanência escolar e ocorre em meio à promoção de programas como o Pé-de-Meia.

Segundo o levantamento do Ministério da Educação, o Brasil contabilizou 46.018.380 estudantes em 2025. A redução atingiu todas as etapas de ensino.

Queda em todas as frentes

Educação infantil, creche + pré-escola: 9.286.182, -205.712
Ensino fundamental: 25.806.767, -195.589
Ensino médio: 7.370.879, -419.517
Formação Inicial e Continuada, FIC: 99.787, -5.862
Educação de Jovens e Adultos, EJA: 2.252.069, -139.250

O dado mais simbólico está no ensino médio. Com 7,37 milhões de estudantes, o país registra o menor número do século XXI. Desde o pico histórico de 9,16 milhões em 2004, a tendência é de retração contínua.

Em números absolutos, São Paulo liderou a queda no ensino médio, com 251.987 alunos a menos, 13,6%. Outros estados também registraram retração significativa:

Roraima: 7,06%
Acre: 7,02%
Paraná: 6,74%
Bahia: 6,17%

Público x privado

Na rede pública, as matrículas caíram de 6.759.848 para 6.334.224, 6,3%.
Na rede privada, houve leve crescimento: de 1.030.548 para 1.036.655, 0,59%.

Menos alunos ou mais eficiência?

O MEC sustenta que a redução não significa evasão generalizada. Segundo técnicos do Inep, a queda está relacionada principalmente à diminuição da população em idade escolar e à melhora no fluxo educacional.

A distorção idade-série no ensino médio da rede pública caiu de 27,9% em 2021 para 17,6% em 2024. No 3º ano, a redução foi de 61% entre 2022 e 2025. Em tese, menos repetência significa menos alunos “retidos” artificialmente no sistema.

Especialistas também apontam que a certificação do ensino médio via nota do Enem pode ter acelerado a conclusão de estudos.

Ainda assim, o dado bruto impressiona: menos matrículas em todas as etapas, inclusive nas obrigatórias.

Creches, avanço lento

Na educação infantil, especialmente nas creches, 0 a 3 anos, o crescimento foi considerado tímido. A proporção de crianças de 2 a 3 anos fora da creche por falta de vagas permanece em torno de 39% desde 2019, segundo dados da Pnad.

Embora o governo prometa a construção de 2.500 novas unidades até 2026 pelo Novo PAC, especialistas alertam que apenas ampliar vagas não resolve. Qualidade pedagógica, formação docente e integração com políticas de saúde e assistência social são apontadas como fundamentais.

EJA em declínio histórico

A Educação de Jovens e Adultos perdeu alunos pelo oitavo ano consecutivo e atingiu seu menor patamar desde 1996. O cenário contrasta com o fato de que quase metade da população com mais de 25 anos não concluiu o ensino médio.

O desafio é duplo: manter jovens na escola regular e reengajar adultos que abandonaram os estudos.

O debate que se impõe

Os dados permitem duas leituras distintas:

  1. Leitura crítica: queda expressiva revela fragilidade na política educacional e possível falha na permanência escolar.

  2. Leitura técnica: redução demográfica e melhora no fluxo explicam o encolhimento do sistema sem representar retrocesso na escolarização.

O que os números mostram é um sistema menor. O que ainda precisa ficar claro é se ele está mais eficiente, ou apenas encolhendo.

Diante de uma redução superior a um milhão de matrículas em um único ano, o debate sobre políticas de permanência, qualidade do ensino e desigualdades regionais tende a ganhar ainda mais centralidade nos próximos meses.

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