
A redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6x1 está entre as prioridades do governo federal neste ano e já é tema de projetos em tramitação na Câmara dos Deputados. As propostas preveem diminuir a carga semanal de 44 para até 36 horas, sem redução salarial. Embora a medida seja apresentada como avanço nas condições de trabalho, especialistas alertam para possíveis impactos negativos sobre emprego, produtividade e crescimento econômico.
Economistas e representantes da indústria afirmam que a mudança aumentaria o custo da hora trabalhada, já que o salário permaneceria o mesmo com menos horas de serviço. Estimativas do Centro de Liderança Pública (CLP) indicam que a redução poderia diminuir a produtividade em 0,7% e levar ao corte de até 640 mil empregos formais. Já estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) projeta queda de até 16% no PIB caso a jornada de 36 horas seja implementada sem ganhos de eficiência. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que o Brasil ocupa posições baixas em produtividade, o que reforça a preocupação de que a medida eleve custos antes de gerar benefícios estruturais.
O impacto também pode atingir diretamente o mercado de trabalho. Especialistas apontam risco de aumento da informalidade, especialmente em setores como comércio, restaurantes, hotelaria e serviços, que operam com margens reduzidas e demandam funcionamento contínuo. Com a elevação dos custos, empresas podem optar por repassar despesas ao consumidor, reduzir contratações ou acelerar investimentos em automação. O efeito combinado pode pressionar a inflação de serviços e reduzir oportunidades para jovens e trabalhadores de menor qualificação.
Na contramão dessas avaliações, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sustenta que o mercado poderia absorver parte dos custos adicionais, estimando impacto inferior a 1% para setores como indústria e comércio, além de possíveis ganhos em qualidade de vida. Entidades empresariais, porém, defendem alternativas como contratação por hora e negociação coletiva, argumentando que mudanças estruturais na jornada devem estar vinculadas a avanços concretos em produtividade, qualificação e ambiente de negócios. O debate segue em aberto no Congresso, em meio à divergência entre expectativas sociais e cálculos econômicos.
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