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Recuperação judicial dispara no Brasil e acende alerta para 2026

Juros altos, crédito restrito e crise no agro levam mais empresas à Justiça

07/02/2026 às 11h03 Atualizada em 09/02/2026 às 19h49
Por: Wagner Albuquerque
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Levantamento aponta alta de 24,3%na comparação com 2024, com 5,6 mil companhias em processo de reestruturação - Foto: Reprodução
Levantamento aponta alta de 24,3%na comparação com 2024, com 5,6 mil companhias em processo de reestruturação - Foto: Reprodução

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil bateu recorde em 2025 e acendeu um sinal de alerta para 2026. Ao todo, 5,6 mil companhias estavam em processo de reestruturação ao fim do ano, um crescimento de 24,3% em relação a 2024. Somente no ano passado, 1,6 mil empresas recorreram à Justiça para tentar evitar a falência, enquanto apenas 561 conseguiram sair do processo.

Os dados mostram que a crise ganhou força no fim do ano. Apenas no último trimestre de 2025, 510 empresas entraram com pedido de recuperação judicial, o maior número já registrado para um período trimestral. Esse volume representou alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior. Especialistas apontam como principais causas os juros elevados, mantidos em 15% por várias reuniões do Banco Central, e a dificuldade de acesso ao crédito, que se agravou após grandes fraudes no sistema financeiro.

Outro dado que chama atenção é o avanço do endividamento. As empresas que pediram recuperação judicial no último trimestre declararam R$ 40 bilhões em dívidas, mais que o dobro do registrado no trimestre anterior. Quase metade desse valor está concentrada em um único caso, o da indústria petroquímica Unigel, com passivo de R$ 19 bilhões. Também figuram entre os grandes pedidos empresas conhecidas como Bombril, Ambipar e Intercement.

O impacto é ainda mais forte no agronegócio, especialmente no Centro-Oeste. O Mato Grosso do Sul liderou o crescimento proporcional de empresas em crise, com alta de 84% em um ano. A soja concentra a maior parte dos pedidos, pressionada por custos elevados, preços mais baixos e crédito caro. Especialistas alertam que a combinação de juros altos, incertezas econômicas e cenário eleitoral pode levar 2026 a registrar novos recordes de empresas em dificuldade, com risco de efeito cascata sobre pequenos e médios negócios.

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