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Economia TAXINHA DO AMOR

Shein recua da produção no Brasil e frustra aposta do governo Lula

Custos elevados, prazos apertados e entraves logísticos levaram confecções a desistirem de parcerias com a varejista chinesa.

05/02/2026 às 20h13 Atualizada em 09/02/2026 às 19h48
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O projeto da Shein de transformar o Brasil em um dos seus principais polos de produção na América Latina enfrenta obstáculos relevantes. Confecções nacionais têm abandonado parcerias ao alegar que não conseguem acompanhar os preços baixos e os prazos exigidos pela empresa, conhecidos no modelo de fast fashion. O resultado tem sido uma desaceleração do plano de nacionalização anunciado pela varejista.

Em comunicado, a própria companhia reconheceu que a estratégia “não saiu como o planejado”. Segundo a empresa, a produção local precisa de tempo para amadurecer e avança mais lentamente devido às diferenças entre a infraestrutura industrial brasileira e a chinesa. Na prática, o modelo de custos e escala adotado na Ásia não encontrou as mesmas condições no país.

Empresários ouvidos relataram pressão por cortes expressivos nos preços após os primeiros pedidos. Um industrial do Rio Grande do Norte afirmou que valores de atacado pedidos inicialmente precisaram cair de forma abrupta, tornando a operação inviável. Outros executivos confirmaram que as metas de produção local não foram alcançadas, o que levou ao encerramento de contratos.

Além dos preços, a logística pesa contra. No Brasil, fábricas e fornecedores estão mais dispersos e enfrentam regras trabalhistas mais rígidas, o que dificulta replicar a rede integrada existente na China. A empresa havia anunciado, em 2023, investimento de cerca de US$ 150 milhões e a meta de nacionalizar 85% das vendas locais até 2026, impulsionada pela taxação de importados de baixo valor. Agora, a estratégia será mais seletiva, focada nas fábricas mais capacitadas, enquanto o país segue como um dos maiores mercados da companhia fora dos Estados Unidos.

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