
O Brasil vem perdendo participação na economia global ao longo das últimas décadas. Dados do Banco Mundial mostram que, após ganhar espaço entre os anos 1980 e 1990, quando chegou a responder por mais de 3,5% do PIB mundial, o país passou a estagnar e depois a recuar. Em 2023, a fatia brasileira caiu para 2,08%, o menor nível em décadas.
Especialistas apontam que a baixa produtividade do trabalho está no centro do problema. Com o fim do chamado bônus demográfico, período em que a população em idade ativa cresce mais rápido, o desafio se torna ainda maior. Hoje, a força de trabalho cresce menos de 0,5% ao ano e deve começar a diminuir nos próximos anos, o que limita o avanço da renda e do consumo.
A preocupação é que, sem produzir mais com a mesma quantidade de trabalhadores, o país pode ver a renda per capita parar de crescer ou até cair. Economistas alertam que o envelhecimento da população tende a reduzir ainda mais o dinamismo do mercado de trabalho, pressionando o sistema previdenciário e os gastos públicos.

Outro fator citado com frequência é o tamanho do Estado e o peso dos impostos. Analistas avaliam que a carga tributária elevada e a complexidade do sistema dificultam a expansão das empresas, desestimulam investimentos e atrasam a adoção de novas tecnologias. Somam-se a isso os altos gastos públicos, os juros elevados e a dívida crescente, que limitam a capacidade de crescimento da economia.
Enquanto o Brasil avança lentamente, outros países ganharam espaço no mesmo período. A China multiplicou seu PIB, e economias como Índia, Vietnã e Bangladesh cresceram mais de 200% em 25 anos. Para especialistas, uma economia mais aberta, com menos barreiras ao comércio e mais concorrência, pode ajudar o país a recuperar competitividade, ainda que os efeitos de acordos internacionais levem tempo para aparecer.
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