
A criminalidade na Bahia já ultrapassou a fase do alerta vermelho. Entrou no estágio do absurdo institucionalizado. O episódio ocorrido na noite desta quarta-feira (4), em Mundo Novo, não é apenas mais uma página policial, é um retrato simbólico do colapso da segurança pública em um estado governado há anos pela esquerda, onde o crime perdeu o medo, a vergonha e, sobretudo, o limite.
Um homem armado decidiu invadir a residência da prefeita Ana Paula Costa (PSD). Não era uma casa qualquer. Era o lar da maior autoridade do município. Como se isso não fosse ousadia suficiente, o imóvel também abriga um delegado de polícia, marido da prefeita. Ainda assim, o criminoso entrou. Entrou como quem acredita que nada acontece, que ninguém reage, que o território é livre para o crime. Errou. Houve troca de tiros. O invasor foi neutralizado. Teve, como se diz no linguajar popular, o CPF cancelado.
O fato em si é grave. O simbolismo é devastador.
A Bahia já ostenta, com folga, o título de estado mais violento do Brasil. Isso todo mundo sabe. O que talvez ainda não esteja claro para alguns é que a criminalidade deixou de respeitar qualquer linha imaginária. Não há mais “alvos improváveis”. Não há mais zonas de exceção. Não há mais autoridades intocáveis. Se até a casa da prefeita vira cenário de confronto armado, fica evidente que ninguém está imune. Ninguém.
Esse não é um caso isolado, nem fruto do acaso. É consequência direta de uma política de segurança que falhou. Falhou ao relativizar o crime, falhou ao perder o controle dos territórios, falhou ao permitir que a sensação de impunidade se transformasse em regra. Quando o criminoso passa a agir como se estivesse em casa, inclusive na casa da prefeita, é porque o Estado já não impõe respeito.
A ousadia do invasor não nasceu do nada. Ela é cultivada dia após dia em um ambiente onde o bandido testa os limites e percebe que eles simplesmente não existem. Primeiro são os assaltos, depois os homicídios em plena luz do dia, depois o domínio de bairros inteiros. Por fim, a invasão da casa da chefe do Executivo municipal. É a escalada lógica de quem se sente dono do território.
O desfecho, com o criminoso morto no local, não é motivo de comemoração. É motivo de reflexão, e de vergonha institucional. Chegar a esse ponto significa admitir que a segurança pública falhou antes, falhou muito, e falhou por tempo demais.
A prefeita informou que ela e a família estão bem, embora emocionalmente abaladas. O abalo, no entanto, é coletivo. O episódio escancara que, na Bahia de hoje, nem o cargo, nem o crachá, nem a autoridade garantem proteção. Quando o crime bate à porta do poder, é sinal de que o poder já não assusta o crime.
E esse talvez seja o dado mais assustador de todos.
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