
Dizer que o governo do presidente Lula da Silva é perdulário virou quase um bordão no debate político. Repete-se todos os dias em editoriais, discursos e redes sociais. Mas o que isso significa, na prática? Perdulário gasta com o quê? Quem paga essa conta? E, sobretudo, como esse comportamento afeta a vida real do cidadão comum?
Perdulário não é apenas quem gasta muito. É quem gasta sem critério, sem prioridade, sem eficiência e sem responsabilidade fiscal. É o governo que trata o dinheiro público como se fosse infinito, quando, na verdade, ele sai do bolso do contribuinte, direta ou indiretamente.
E os números não deixam margem para retórica.
Segundo dados da plataforma Gasto Brasil, apenas no primeiro mês do ano eleitoral de 2026, os gastos públicos no país superaram R$ 500 bilhões. Desse total, mais de R$ 200 bilhões foram despesas do governo federal, sob comando direto do Palácio do Planalto.
Estamos falando de um Estado que consome, em média, R$ 16 bilhões por dia, ou cerca de R$ 670 milhões por hora. Se esse ritmo for mantido, o Brasil poderá fechar o ano com R$ 6 trilhões em despesas públicas, um patamar histórico e alarmante.
Não se trata de abstração contábil. Trata-se de escolhas políticas.
Os dados da plataforma indicam que os gastos envolvem:
despesas com pessoal e encargos sociais,
custeio da máquina pública,
investimentos mal planejados,
inversões financeiras,
obras e contratos frequentemente questionáveis,
além de despesas correntes que crescem sem controle.
O problema central não é investir, é não entregar retorno social compatível com o volume gasto. O Estado cresce, engorda, se expande, mas os serviços públicos seguem precários. A conta explode, mas a eficiência não acompanha.
A resposta é simples e cruel: o cidadão.
Um governo perdulário gera consequências diretas:
mais impostos, agora ou no futuro;
inflação mais alta, porque gasto excessivo pressiona preços;
juros elevados, para conter o descontrole fiscal;
crédito mais caro, sufocando empresas e famílias;
menos investimento privado, por insegurança econômica;
e crescimento econômico travado.
O cidadão paga no supermercado, na conta de luz, no financiamento da casa, no crédito rotativo do cartão e no desemprego que teima em persistir.
O alerta da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) é claro: o Estado brasileiro precisa custar menos para investir melhor. Sem controle das despesas obrigatórias e sem eficiência no uso do dinheiro público, o país fica preso a um ciclo vicioso — gasta-se cada vez mais para entregar cada vez menos.
Governos perdulários costumam vender a ilusão de que gasto público é sinônimo de justiça social. Não é. Gasto sem responsabilidade é injustiça social disfarçada, porque transfere o custo da má gestão para os mais pobres, via inflação e perda de poder de compra.
Todo governo gasta. Mas governos responsáveis sabem quando, como e com que limites gastar. O atual governo, ao que tudo indica, optou por expandir despesas sem a contrapartida de crescimento econômico sólido, reformas estruturais ou redução de desperdícios.
O resultado é previsível: um Estado caro, ineficiente e voraz, que exige cada vez mais do cidadão e entrega cada vez menos em troca.
No fim das contas, o governo pode até gastar trilhões.
Mas quem paga cada centavo dessa fatura é você.
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