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A conta que explode: dívida pública caminha para R$ 10 trilhões

Mesmo com arrecadação recorde, o governo Lula 3 vê a dívida crescer em ritmo acelerado; gastos fora de controle empurram o Brasil para um patamar histórico de endividamento até 2026

01/02/2026 às 09h39
Por: Douglas Ferreira
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Lula e Haddad os arquitetos da política econômica do governo - Foto: Reprodução
Lula e Haddad os arquitetos da política econômica do governo - Foto: Reprodução

A dívida que não fecha: por que o Brasil arrecada como nunca e se endivida como sempre

A dívida pública brasileira virou uma bola de neve. Em 2025, alcançou R$ 8,6 trilhões e, pelas projeções oficiais do Tesouro Nacional, pode ultrapassar R$ 10 trilhões até o fim de 2026. É o maior salto desde 2015: 18% de crescimento em um único ano. Não é detalhe contábil; é sinal de alerta piscando em vermelho.

O paradoxo salta aos olhos. Nunca se arrecadou tanto. A máquina arrecadatória foi “azeitada”, impostos foram criados, alíquotas subiram, e a receita bateu recordes consecutivos. Ainda assim, nunca se gastou tanto. Se a economia fosse um balde, o governo resolveu aumentar a torneira da entrada, mas abriu ainda mais o ralo da saída.

A explicação técnica é conhecida. A dívida cresce quando as despesas superam as receitas e o governo precisa se financiar. Isso ocorre via dívida mobiliária (títulos públicos) e dívida contratual (empréstimos). O problema do Lula 3 não é a engenharia financeira; é a política de gasto. A estratégia central tem sido gastar hoje e discutir amanhã como pagar.

O Tesouro, no Plano Anual de Financiamento (PAF), indica que seguirá apostando mais em títulos atrelados à Selic, reduzindo os prefixados. Em português claro: transfere-se risco para o futuro e amarra-se a dívida a juros altos por mais tempo. Funciona para vender títulos agora, mas encarece a conta adiante. É como pagar o mínimo do cartão enquanto os juros correm soltos.

Há ainda o alongamento do prazo médio da dívida, para algo entre 3,8 e 4,2 anos, e o aumento da parcela que vence em até 12 meses, que pode chegar a 22%. Ou seja, mais pressão de curto prazo e dependência contínua de rolagem. A economia fica refém do humor do mercado e da taxa de juros.

Onde está o gargalo? Nos gastos correntes, na expansão de programas sem contrapartida estrutural, na dificuldade política de cortar despesas e na ausência de uma âncora fiscal crível. O discurso promete responsabilidade; a prática entrega expansão. O resultado é um déficit que não encolhe e uma dívida que cresce em ritmo de metástase.

E qual é o plano para fechar a conta? Até aqui, a resposta tem sido arrecadar mais. Mas elevar impostos em uma economia já pressionada tem limite. Passado esse limite, a arrecadação perde fôlego, o crescimento trava e a dívida piora, o clássico tiro no pé.

No fim, a pergunta incômoda permanece: que política econômica é essa? Se a única resposta é gastar, a matemática não fecha. Sem revisão séria do gasto, sem prioridades claras e sem disciplina fiscal, o Brasil segue empurrando a dívida com a barriga, até o dia em que a barriga estoura.

A conta não fecha hoje. E, mantida a política atual, não fechará amanhã.

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