
O Ibovespa fechou janeiro com alta de 12%, a terceira maior valorização mensal dos últimos 16 anos e o melhor desempenho para o mês desde 2006. Mesmo com a queda de quase 1% no último pregão, o índice manteve os ganhos e passou a acumular valorização de cerca de 43% em 12 meses, refletindo um forte movimento de entrada de capital e maior apetite ao risco no mercado brasileiro.
Para analistas, a disparada não é mero entusiasmo pontual. A principal aposta está nos cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, que tornam aplicações conservadoras menos atraentes e empurram investidores para ações. Além disso, a instabilidade gerada pelas ofensivas geopolíticas do presidente americano Donald Trump tem levado parte do capital global a buscar mercados emergentes, colocando o Brasil na rota como uma alternativa de retorno mais elevado.
O fluxo de investidores estrangeiros tem sido decisivo. Em 2025, as compras líquidas de ações brasileiras por não residentes somaram mais de R$ 25 bilhões, e apenas nas primeiras semanas de 2026 já ultrapassaram R$ 8 bilhões. Esse dinheiro externo tem sustentado a valorização do índice, apesar de fragilidades internas, como o cenário fiscal e a dependência de fatores internacionais para manter o ritmo de alta.
O otimismo, no entanto, vem acompanhado de cautela. Especialistas apontam que 2026 deve ser marcado por forte volatilidade, impulsionada tanto pela imprevisibilidade de Trump quanto pelas eleições presidenciais no Brasil. O mercado observa com atenção os rumos da política fiscal e admite que ajustes nas contas públicas serão inevitáveis após o pleito. Ainda assim, se o cenário externo continuar favorável, há projeções que colocam o Ibovespa próximo ou até acima dos 200 mil pontos, com a ressalva de que o caminho até lá deve ser tudo, menos linear.
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