
Líderes do Mercosul e da União Europeia assinaram neste sábado (17), no Paraguai, o acordo de livre comércio negociado há mais de duas décadas. O tratado cria um mercado integrado de cerca de 700 milhões de pessoas e consolida uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, conectando economias da América do Sul e da Europa em um pacto de alcance econômico e geopolítico.
A cerimônia reuniu chefes de Estado sul-americanos e autoridades europeias. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já que o presidente Lula não compareceu. Mesmo ausente, Lula foi citado por lideranças como peça-chave para o avanço do acordo. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, destacaram o tratado como uma defesa clara do multilateralismo, do comércio baseado em regras e da cooperação internacional em um cenário global marcado por tensões e protecionismo.
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos, além de regras comuns para produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. A expectativa é de aumento do comércio, atração de investimentos, geração de empregos e maior integração produtiva. O Brasil ocupa posição central no pacto, respondendo pela maior parte das trocas entre Mercosul e UE.
Apesar da assinatura, o tratado ainda não entra em vigor. O texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Na Europa, o acordo enfrenta resistência de países como França, Áustria e Polônia, especialmente por preocupações com o setor agrícola. A implementação será gradual e só ocorrerá plenamente após todas as ratificações, embora partes do acordo possam ser aplicadas de forma provisória.
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