
Depois de 26 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou na fase decisiva. Com o sinal verde político do Conselho Europeu, os dois blocos trabalham para realizar a assinatura já na próxima semana, no Paraguai, que atualmente preside o Mercosul. A ideia é aproveitar o momento favorável e evitar novos atrasos, embora a diplomacia trate o tema com cautela até a ratificação formal.
O principal entrave esteve dentro da própria Europa. Países como França, Irlanda e Polônia resistiram ao acordo por pressão de agricultores, que temem concorrência com produtos do Mercosul, especialmente carnes e grãos. A Itália virou peça-chave nas negociações e só deu aval após a União Europeia anunciar mais recursos ao setor agrícola e discutir mecanismos de proteção, como salvaguardas para suspender tarifas caso as importações cresçam demais.
Para o Brasil, o acordo é visto como estratégico e excelente para o agro. Além de abrir um mercado sofisticado e previsível, ele ajuda a reduzir a dependência da China, principal destino da carne brasileira, que já começa a impor limites às importações. Hoje, a União Europeia já é um dos maiores compradores do agro nacional, com destaque para carne bovina, café, soja, frango e celulose. Com o tratado em vigor, vários desses produtos podem ter tarifas reduzidas ou zeradas.
Do lado europeu, o avanço do acordo vai além do comércio. Especialistas apontam que a UE busca reforçar alianças estratégicas em meio às tensões geopolíticas globais e ao avanço da China e da Rússia. Ainda assim, o pacto não elimina conflitos: exigências ambientais, rastreabilidade e regras sanitárias seguem como pontos sensíveis. O recado é claro para o Brasil: o acordo abre portas, mas só vai beneficiar quem conseguir transformar exigência em vantagem competitiva.
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