
A projeção para 2026 é de uma economia andando devagar. Analistas veem o PIB crescendo menos do que em 2025, com a agropecuária sem o mesmo impulso e os juros ainda elevados segurando parte da atividade. Mesmo assim, o cenário não é de drama: a inflação tende a ficar dentro do intervalo da meta e o desemprego deve continuar baixo para padrões históricos. A palavra de ordem é desaceleração, mas sem tranco.
Nas contas de bancos e consultorias, o PIB deve avançar perto de 1,5% a 1,8% em 2026, depois de um 2025 melhor. A inflação medida pelo IPCA gira em torno de 4%, abaixo do teto da meta. Um ponto de atenção é o câmbio e o preço dos alimentos, que podem dar uma “subidinha” e pressionar o bolso. Por outro lado, os juros altos ajudam a conter preços de serviços, justamente onde a inflação costuma ser mais resistente.
Um fator novo entra no jogo: a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Com mais dinheiro no bolso, famílias tendem a consumir mais e isso pode evitar uma freada maior do PIB. O Banco Central, porém, monitora esse impulso com cautela. A expectativa é que a Selic termine 2026 ainda em dois dígitos, perto de 12% a 12,5%, para segurar a inflação se o consumo disparar.
Há também um embate claro entre a política fiscal e a monetária. Enquanto o governo estimula a economia com benefícios e renúncias, o BC pisa no freio com juros altos. Esse choque aumenta o risco e mantém a taxa elevada por mais tempo. Mesmo assim, o mercado de trabalho deve continuar aquecido: a taxa de desemprego tende a ficar entre 5% e 6%, ajudada pelo fato de que a desaceleração vem principalmente de setores que empregam menos, como a agropecuária.
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