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Empreendedorismo TRABALHO

Salário perto de R$ 2 mil já não basta e varejo enfrenta falta de trabalhadores

Mesmo com bônus e reajustes acima da inflação, setor sofre para contratar e reter mão de obra em um mercado de trabalho aquecido

12/12/2025 às 10h54 Atualizada em 14/12/2025 às 09h40
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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O varejo brasileiro vive uma escassez crescente de mão de obra, especialmente em períodos de alta demanda como Black Friday e Natal. Mesmo oferecendo salários em torno de R$ 2.000, bônus por metas e prêmios, empresas relatam dificuldade para preencher vagas temporárias. O cenário se agrava com o desemprego no menor nível desde 2012, o que amplia o poder de escolha dos trabalhadores e pressiona o setor, que precisa reforçar equipes para atender ao pico de vendas no fim do ano.

Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que mais de 112 mil vagas temporárias foram abertas neste fim de ano, o maior número em 12 anos. Ainda assim, a remuneração média de admissão, apesar de ter crescido acima da inflação, não tem sido suficiente para atrair candidatos. A escassez atinge principalmente funções ligadas à logística, vendas online, caixa e operação de estoque, áreas que exigem maior esforço físico, jornadas extensas e trabalho em fins de semana.

Empresas têm buscado alternativas para reter funcionários, indo além do salário. Algumas redes passaram a rever escalas, ampliar benefícios e flexibilizar jornadas, como a adoção de folgas adicionais aos domingos e ajustes no horário de trabalho aos sábados. Ainda assim, a alta rotatividade segue como um problema estrutural, afetando a produtividade e obrigando as empresas a manter processos constantes de seleção e treinamento.

Especialistas apontam que o desafio do varejo é matemático: melhorar salários e condições de trabalho eleva custos, que tendem a ser repassados ao consumidor. Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que qualidade de vida, flexibilidade de jornada e plano de carreira pesam mais do que reajustes salariais isolados na decisão do trabalhador. Diante disso, o setor passa a discutir mudanças mais profundas no modelo de funcionamento, incluindo maior uso de tecnologia e revisão de horários, para se adaptar a uma nova realidade do mercado de trabalho.

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