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Economia JUROS ALTOS

Selic em 15%: o governo que reclama dos juros, mas alimenta a fogueira da inflação

Com um Banco Central comandado por um indicado de Lula, Copom mantém o juro mais alto em 20 anos e expõe o óbvio: sem disciplina fiscal, a taxa não cai — por mais pressão política que se faça

10/12/2025 às 19h18
Por: Douglas Ferreira
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COPOM mantem taxa Selic em 15% - Foto: Reprodução
COPOM mantem taxa Selic em 15% - Foto: Reprodução

A decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15% pela quarta vez consecutiva não surpreende ninguém que acompanha minimamente o cenário econômico, mas deveria acender todos os alertas políticos dentro do Planalto. Afinal, o comando do Banco Central não está nas mãos de um “herdeiro de Bolsonaro”, como o discurso oficial tentou sustentar por meses. Roberto Campos Neto deixou o comando; agora, quem assina a decisão é um presidente do BC indicado pelo próprio Lula.

Ou seja: a culpa já não cabe mais no governo anterior. A Selic altíssima hoje é produto direto da indisciplina fiscal, da gastança contínua e das expectativas inflacionárias totalmente desancoradas.

Um BC de Lula aplicando uma política contra Lula

A ironia é evidente. O presidente do Banco Central colocado no cargo pelo governo atual é obrigado a adotar justamente a política monetária dura que Lula mais criticou. E isso acontece porque, diante da inflação resiliente e da perda de credibilidade do arcabouço fiscal, não há margem técnica para reduzir os juros sem colocar fogo na economia.

O comunicado do Copom foi quase um recado explícito ao Executivo:

  • “Expectativas desancoradas.”

  • “Projeções de inflação elevadas.”

  • “Pressões no mercado de trabalho.”

  • “Incertezas fiscais crescentes.”

Traduzindo: o governo perdeu o controle da narrativa econômica, e, pior, perdeu o controle das contas.

Governo gasta, e o juro responde

É impossível derrubar juros quando o gasto público cresce como se não houvesse amanhã. A reforma do arcabouço virou letra morta antes mesmo de completar um ano. A meta fiscal para 2025 foi flexibilizada, a despesa cresce muito acima da receita e o governo insiste em:

  • criar novas despesas;

  • ampliar subsídios;

  • contornar regras fiscais com manobras contábeis;

  • inflar a máquina administrativa.

Os agentes econômicos não são ingênuos. Quando o governo gasta demais, a inflação sobe. Quando a inflação sobe, o Banco Central segura os juros lá em cima. A matemática é simples; a política é que se recusa a entendê-la.

A manutenção em 15% é menos uma decisão, e mais uma consequência

Não se trata de uma postura “conservadora” ou “ideológica” do BC. Trata-se de uma reação inevitável à deterioração contínua do ambiente fiscal e institucional.

A inflação oficial até vem acomodando, mas o Copom não mira o número de ontem, mira o de daqui a 12 ou 18 meses. E o que se vê no horizonte?

  • crescimento do gasto público;

  • metas frouxas;

  • incerteza regulatória;

  • pressão salarial;

  • expansão da máquina do Estado;

  • conflito político permanente.

Nenhum desses fatores combina com juro baixo.

Um juro de 15% é, na prática, um atestado de fracasso da política econômica

Por mais que o governo tente criar narrativas, não há país organizado com taxa básica em 15%. Isso é índice de economia instável, fiscalmente vulnerável e politicamente confusa.

Significa dizer:
o Brasil não inspira confiança o suficiente para viver com juros civilizados.

E o que Lula pode fazer agora?

Há dois caminhos, e apenas dois:

  1. Reequilibrar gastos, restaurar credibilidade, reduzir o risco fiscal e permitir que os juros caiam naturalmente.

  2. Continuar gastando, atacando o BC, culpar “forças do mercado” e colher juros altos pelo resto do mandato.

Até aqui, o governo escolheu a segunda opção.

O Copom apenas respondeu.

O recado está dado, e é político

No fundo, a decisão de manter a Selic em 15% revela mais sobre a política do que sobre a técnica. O governo perdeu a batalha da credibilidade fiscal, e um BC comandado por um indicado de Lula agora se vê obrigado a frear a economia para conter aquilo que deveria ter sido evitado do lado fiscal.

Se o governo continuar apostando em aumento de gastos, há um risco real de juros altos por tempo indefinido, crescimento travado e um ambiente de incerteza que pode prolongar a agonia econômica até 2027.

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