
O Piauí acaba de ganhar um presente precioso: um documentário que não só emociona, como também reconecta o estado com a memória viva de quem abriu caminho para a era da televisão por aqui. Estamos falando de “Seu Albuquerque e outras histórias das telecomunicações no Piauí”, dirigido e roteirizado por Ajosé Fontinelle — uma obra que vem conquistando público, jurados e abrindo um sorriso de orgulho em quem conhece a trajetória desse personagem monumental.
E que trajetória!
Seu Albuquerque foi aquele tipo de profissional que não cabe em currículo. Técnico, inventor, resolvedor de problemas, visionário e, acima de tudo, um apaixonado pela comunicação. Saído do interior do Piauí, ele fez carreira como um dos nomes mais importantes da área, chegando ao posto de primeiro diretor técnico da primeira emissora de televisão do estado.
Em outras palavras: enquanto muita gente ainda tentava entender como funcionava uma antena, Seu Albuquerque já estava montando televisão com a chave de fenda numa mão e a coragem na outra.
Porque certas histórias simplesmente não podem se perder. A vida de Seu Albuquerque é, na prática, a história da chegada da TV no Piauí — e o documentário, com sua abordagem sensível, divertida e recheada de depoimentos, resgata um período em que tudo era experimentação, improviso e, claro, muita genialidade.
A obra funciona como um portal para um tempo em que a técnica era artesanal, o sinal era um desafio diário e o brilho no olho de quem acreditava no futuro fazia toda a diferença.
O impacto da produção não ficou só dentro de casa. O documentário foi o grande vencedor da 19ª edição do Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões, em Floriano-PI, levando dois prêmios de peso:
Melhor Filme
Melhor Montagem, assinada por Ícaro Uther
E mais: era o único longa-metragem piauiense na mostra competitiva nacional — e mesmo assim brilhou como quem sabe exatamente o valor da história que carrega.
A vitória reforça o quanto o audiovisual piauiense está maduro, criativo e profundamente conectado às raízes culturais e tecnológicas do estado. E mostra, ao Brasil, que contar nossas próprias histórias é um ato de força.
Parte do encanto do filme está na dedicação de sua equipe, que tratou essa história com o extremo cuidado que ela merece. Entre os destaques:
Direção e Roteiro: Ajosé Fontinelle
Fotografia, Câmera e Montagem: Ícaro Uther
Still e Câmera: Raynara de Castro
Som Direto e Trilha: Iago Guimarães
Drone: John Well
Locução: João Cláudio Moreno
Produção: Marcos Aureliano
Assistência: Darlyson, André Lima e Ésio Leonardo
Finalização: 1150 Produções
Uma verdadeira força-tarefa para garantir que cada memória, cada fio, cada antena e cada sorriso de Seu Albuquerque chegassem ao público com autenticidade.
Representa a valorização de quem construiu, na prática, a comunicação do Piauí. Representa um gesto de carinho com a história tecnológica do estado. Representa a importância de olhar para o passado para entender como chegamos até aqui.
E mais: representa o reconhecimento nacional de que o Piauí produz, sim, cinema de qualidade — cinema que emociona, informa e preserva.
Seu Albuquerque não foi apenas um técnico. Foi um construtor de pontes invisíveis, que ligaram o Piauí ao mundo.
E agora, graças a este documentário, ele se torna eterno também na tela grande.
Se o Piauí tem heróis silenciosos, este filme faz questão de aumentar o volume.
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