
Se tem notícia que sacode o Maranhão, não é mudança no secretariado, não é escândalo de prefeitura, não é briga de oligarquia. É senador comprando fazenda de R$ 15 milhões num dos estados mais pobres do país. A informação caiu como um raio no meio político e empresarial. O Agro maranhense até hoje procura o queixo no chão.
E convenhamos: não estamos falando de um sítio, de uma terrinha para plantar mandioca ou criar umas vaquinhas. Estamos falando de uma propriedade equivalente a 2 mil campos de futebol, com casarão, igarapé cortando a área e, claro, pista de pouso, porque, no Maranhão, você nunca sabe quando vai precisar aterrissar um jatinho no quintal. Detalhe: Weverton Rocha (PDT/MA) não possui aeronaves declaradas. Mas usa jatinhos como quem pega Uber.
A pergunta que ecoa de São Luís a Imperatriz é simples, direta e inevitável: de onde veio o dinheiro?
Porque o senador declarou R$ 4,2 milhões em patrimônio nas eleições de 2022. De repente, aparece com negociação de R$ 15 milhões em fazenda, mais um apartamento de R$ 1,2 milhão no Jardim Paulista, uma das áreas mais caras de São Paulo. Ora, até mega jogador de futebol olha essa agenda de compras e aplaude.
A história fica ainda mais saborosa quando lembramos que Weverton foi o primeiro político citado na CPMI do rombo do INSS. Isso por sua proximidade com Antonio Camilo Antunes, o famoso “Careca do INSS”, o chefão da quadrilha que roubava aposentados, velhinhos, viúvas e qualquer brasileiro que tivesse idade, necessidade e pouca defesa. O nome do senador brotou ali como quem encontra uma mala esquecida no canto da sala: ninguém sabe como, mas estava lá.
E vamos combinar: a oposição já ligou os pontos. Rápida, eficiente e maldosa, como toda oposição que se preze.
Fazenda milionária + amigo do “Careca” + patrimônio incompatível + pista de pouso = teoria pronta, servida em bandeja.
Ninguém tem prova de nada. É verdade. Mas, sinceramente, quando um senador compra uma propriedade cujo valor supera todo o orçamento anual de saúde de Matões do Norte, o 4º município mais pobre do país, a moral pública exige ao menos uma explicação.
Nem que seja uma daquelas notas oficiais que falam muito e não dizem nada.
Mas silêncio, silêncio sepulcral, não combina com quem ocupa cadeira no Senado.
A DJ Agropecuária, a empresa do senador usada na compra, tem capital social de R$ 10 mil. Dez mil reais. Valor que não compra nem o telhado do casarão da fazenda, muito menos os 837 hectares adquiridos em setembro de 2024. Quem pagou? Quem transferiu? Quem bancou? Mistério.
E tem o detalhe: a compra foi feita em partes, com transferência bancária, pagamento de ITBI, escrituração futura e tudo dentro da burocracia oficial. Até aí, perfeito. Mas o tamanho da operação desperta mais perguntas do que respostas.
Tanto que o povo maranhense, que não é bobo, já resumiu a situação com precisão cirúrgica:
“Se tá tudo certo, por que o senador não explica?”
A resposta ainda não veio.
Por enquanto, o que há é Weverton defendendo que “todas as atividades econômicas são legais e dentro da lógica financeira”. Ótimo. Então explique. Mostre. Detalhe. Justifique. Afinal, mandato não é herança de família. É contrato com o povo.
E quando um político compra fazenda digna de xeque árabe, constrói pista de pouso, aparece citado em CPMI, aumenta patrimônio em escala de novela mexicana e ainda se cala… ah, meu amigo, o Brasil inteiro sabe que silêncio, nesse país, fala alto demais.
Enquanto isso, o Maranhão observa.
Metade perplexa.
Metade desconfiada.
E 100% querendo saber quem está plantando o quê numa fazenda de R$ 15 milhões.
Porque, para produzir milho, soja ou boi, não precisa pista de pouso.
Mas para descer jatinho, ah… aí precisa.
E, pelo visto, no Maranhão, pista de pouso virou necessidade básica de qualquer senador que ande gastando acima da própria sombra.
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