
A combinação de educação frágil, transições profissionais lentas e avanço da automação está cobrando um preço alto do Brasil. Um estudo da Pearson, que analisou oito grandes economias, aponta que o país deixa de ganhar R$ 1,08 trilhão por ano por falhas no processo de aprendizado e adaptação ao mercado de trabalho. O valor representa cerca de 9% do PIB, a maior fatia entre todos os locais avaliados, à frente de Califórnia, Canadá e Estados Unidos.
O principal gargalo está na troca de emprego. No Brasil, a reentrada no mercado leva, em média, 42 semanas, praticamente o dobro do tempo em economias como Canadá e Reino Unido. Essa demora gera perdas anuais estimadas em R$ 701 bilhões. Para a Pearson, o dado revela um descompasso entre a formação oferecida pela educação e as habilidades que as empresas realmente precisam. A situação se agrava com o alto contingente de jovens “nem-nem”: um quinto da população entre 18 e 24 anos não trabalha e não estuda.
A automação é outro ponto de alerta. Segundo o estudo, o impacto da disrupção tecnológica já gera prejuízo anual de R$ 241 bilhões no país. Cerca de 32% das ocupações brasileiras estão em alto risco de substituição por máquinas, índice bem acima do observado em mercados como Austrália e Estados Unidos. Para a Pearson, o Brasil poderia evitar perdas maiores se acelerasse investimentos em requalificação profissional, aproveitando sua vantagem demográfica: uma população relativamente jovem.
O levantamento aponta dois caminhos urgentes para políticas públicas. O primeiro é enfrentar o desemprego estrutural, criando mecanismos ágeis de recolocação e capacitação. O segundo é se antecipar aos efeitos da automação, preparando trabalhadores antes que a tecnologia cause rupturas mais profundas. Na visão da Pearson, aprender com experiências internacionais pode ajudar o Brasil a reduzir prejuízos e transformar um ciclo de perdas em oportunidades de crescimento.
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