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Economia TRABALHO

Desemprego cresce entre graduados nos EUA e acende alerta para mercado de diplomas

Profissionais com ensino superior já representam 25% dos desempregados; cortes em grandes empresas e avanço da IA pressionam recém-formados

30/11/2025 às 11h52 Atualizada em 01/12/2025 às 17h49
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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O mercado de trabalho americano vive um movimento incomum: profissionais com diploma universitário enfrentam o pior cenário em décadas. Segundo novos dados do Bureau of Labor Statistics, a taxa de desemprego entre pessoas com ensino superior chegou a 2,8% em setembro, meio ponto acima do ano anterior. Isso colocou trabalhadores com diploma como um quarto de todos os desempregados do país, marca inédita desde o início da série histórica, em 1992. Em números absolutos, mais de 1,9 milhão de americanos com 25 anos ou mais e diploma de bacharel estavam sem trabalho.

O avanço do desemprego atinge especialmente os recém-formados, que não estão sendo absorvidos pelo mercado como em anos anteriores. John Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York, chamou o momento de “tempestade perfeita” para quem está saindo da universidade. Enquanto isso, trabalhadores com menor escolaridade tiveram pouca ou nenhuma variação na taxa de desocupação, o que reforça a mudança de tendência: agora, o aperto está justamente nos setores tradicionalmente mais qualificados.

A desaceleração no mercado de colarinho branco acompanha a onda de cortes anunciados por grandes companhias como Amazon, Target, Starbucks e Verizon, que pretende demitir mais de 13 mil funcionários. Relatórios recentes também mostram que o mês de outubro teve o maior volume de anúncios de demissões em mais de 20 anos, impulsionados principalmente pela substituição de funções por inteligência artificial. Para o economista Michael Feroli, do JPMorgan, a tendência deve aumentar o temor de perda de vagas ligadas ao avanço da tecnologia.

Os dados oficiais ainda revelam que praticamente toda a criação de empregos no ano veio de apenas dois setores: saúde e assistência social, e lazer e hospitalidade. Juntos, adicionaram 690 mil vagas em 2025, enquanto o restante da economia perdeu cerca de seis mil postos. Já o setor de serviços profissionais e técnicos, que inclui consultorias, tecnologia e pesquisa, registrou queda direta no quadro de funcionários nos primeiros nove meses do ano. O recado do mercado é claro: formar-se não é mais garantia de inserção rápida, e o cenário para quem depende de profissões altamente qualificadas pode continuar tenso.

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