
O novo Plano Nacional de Educação (PNE), que deve orientar a política educacional do país entre 2025 e 2035, está perto de ser votado no Congresso e já causa preocupação entre especialistas. O texto apresentado na Câmara promete ampliar temas identitários e ambientais nas escolas, mas continua vago sobre como melhorar o desempenho de português e matemática, justamente as áreas onde o Brasil registra alguns dos piores resultados do mundo. A crítica central é que o documento parece mais uma coleção de intenções políticas do que um plano técnico para elevar a aprendizagem.
O PNE até prevê medidas importantes, como avaliações obrigatórias para todos os alunos já a partir do 1º ano, além de instrumentos de diagnóstico e acompanhamento pedagógico. Porém, essas ações acabam misturadas a diretrizes identitárias que, segundo especialistas, tiram o foco do essencial. A formação de professores, por exemplo, passa a priorizar “contextos sociais, territoriais e identitários”, diluindo a centralidade da alfabetização e do domínio das disciplinas básicas. Pesquisadores destacam que as metas são pouco objetivas e não explicam como serão cumpridas.
Outro ponto polêmico é o aumento do gasto em educação para 11% do PIB. Apesar do volume expressivo, o plano não liga esse dinheiro a resultados concretos nem estabelece mecanismos de cobrança caso metas não sejam atingidas. Para críticos, o país corre o risco de repetir a receita conhecida: gastar mais sem garantir que os estudantes realmente aprendam. A expansão do discurso identitário também preocupa, já que o plano adota conceitos como “interseccionalidade” e amplia o número de políticas segmentadas, o que pode desviar recursos de ações universais.
Especialistas ouvidos apontam que a combinação do novo PNE com o Sistema Nacional de Educação (SNE), recém-aprovado, tende a concentrar decisões em Brasília e reduzir a autonomia de estados e municípios. Na prática, isso pode enfraquecer iniciativas locais que funcionam e dar ainda mais espaço a agendas ideológicas em vez de resultados. A avaliação geral é direta: sem metas claras, cobrança real e foco em leitura, escrita e matemática, o país perde mais uma chance de enfrentar seu principal desafio educacional.
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