
Na manhã desta terça-feira (18/11/2025), a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, presidente e principal acionista do Banco Master, em sua residência no bairro do Jardim Europa, em São Paulo. O banqueiro estava sendo alvo da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
As investigações apontam que o Banco Master, sob controle de Vorcaro, teria fabricado “carteiras de crédito insubsistentes”, ou seja, títulos lastreados em ativos fictícios ou com avaliação técnica inexistente, e os vendido para outra instituição financeira. Posteriormente, após fiscalização do Banco Central (BC), esses papéis teriam sido substituídos por outros ativos igualmente problemáticos.
As condutas apuradas incluem: gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, delitos contra o sistema financeiro.
Além de Vorcaro, a PF cumpre ao menos sete mandados de prisão preventiva mais dois de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão em diversos estados e no Distrito Federal. Um dos outros presos citados é Augusto Lima, sócio do Banco Master. A prisão de Vorcaro ocorreu em São Paulo; outras diligências foram cumpridas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e DF.
Os reflexos são imediatos e gravíssimos:
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master na mesma manhã da prisão, sinal claro de que o regulador entendeu haver risco sistêmico e insolvência da instituição. Os investidores e depositantes do Master agora aguardam para saber se serão ressarcidos via FGC (Fundo Garantidor de Créditos), até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
A confiança no setor bancário de menor porte tende a sofrer. Se um banco relativamente pequeno como o Master envolvido em títulos de crédito problemáticos entra em colapso, o efeito dominó para o segmento pode começar a preocupar.
A questão da “rentabilidade acima da média”, que o Master usava para captar recursos, aparece agora como possível sinal de alerta para outros bancos com modelo semelhante.
A resposta curta: sim, é altamente provável.
A operação, cujo nome já expressa o escárnio: “zero compliance”, mira a emissão de instrumentos financeiros sem lastro, práticas de governança falhas, e instituições que operam à margem das regras. Como foi informada pela PF, as investigações começaram em 2024 com indícios de que uma instituição financeira fabricava carteiras de crédito e repassava para outra.
Se o esquema investigado for estruturado, ou seja, envolver múltiplas instituições financeiras interligadas, o caminho para a PF e o MPF é expandir os alvos. O mercado já está em alerta, olhando para relatórios de outros bancos que captam com taxas elevadas e ativos de difícil liquidez.
Há várias pistas que explicam o timing:
As investigações ganharam corpo em 2024 e evoluíram para relatório robusto que autorizou prisões.
O Banco Central já vinha monitorando o Master, sua captação agressiva, e recusou transações que envolviam o banco, como a compra pelo BRB (Banco de Brasília).
A combinação prisão + liquidação regulatória envia um recado forte: o regulador e a PF não toleram mais “modelos de negócio” bancário que funcionam à base de risco elevado, ativos pouco claros e captações acima da média.
Se os presos serão mantidos em detenção ou terão liberdade provisória.
Quais serão as instituições financeiras citadas nos próximos relatórios ou mandados.
A reação do mercado financeiro: será avaliada a solvência de bancos médios, principalmente os que captam via CDBs de alto rendimento.
A atuação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para revisar modelos de negócios e exigir maiores controles de governança em bancos menores.
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