
O Enem mal começou e um fato já chamou a atenção do brasileiro: o tema da temida redação. E por quê? O que há de intrigante no tema deste ano? Calma. O assunto chamou a atenção não por ser polêmico. O espanto veio justamente do contrário: os organizadores deixaram de lado as pautas identitárias que dominaram outras edições.
Nada de gênero. Nada de descriminalização das drogas. Nada de debate sobre quem é vítima de quem na guerra narcotizada. Em ano pré-eleitoral, claro, melhor não tocar em vespeiro. Melhor empurrar certas “questões sensíveis” para debaixo do tapete e esperar o momento politicamente conveniente. Melhor, enfim, o Enem retornar à normalidade — ou a algo perto disso.
E o tema escolhido? O envelhecimento. Sim. Só isso. Simples, direto, universal. E, estranhamente, quase reconfortante.
O tema não apenas agradou, como ofereceu aos concorrentes a chance de escreverem sobre algo que inevitavelmente atinge todos nós. Falar de envelhecimento significa discutir longevidade, saúde, qualidade de vida, hábitos, escolhas e, claro, o papel das políticas públicas em garantir dignidade aos mais velhos.
O brasileiro vem vivendo mais. Isso é fato. Mas viver mais não significa viver bem. Essa é a grande questão. De nada adianta estender os anos de vida se eles vierem acompanhados de abandono, carências e invisibilidade.
E é aí que entra o Estado — ou deveria entrar. Políticas públicas inclusivas, eficazes e livres de discriminação são essenciais para assegurar condições reais de envelhecimento digno. É um desafio social, econômico e cultural. Um tema urgente. Um tema real.
Sem dúvidas, foi uma escolha empolgante, provocativa e pertinente.
O primeiro dia do Enem foi marcado por um equilíbrio entre textos desafiadores, questões interpretativas e temas relevantes, exigindo atenção, calma e raciocínio rápido. Ao final, muitos estudantes deixaram os locais de prova com a clássica sensação de alívio — misto de cansaço e dever cumprido. Alguns consideraram a redação acessível, outros acharam o tema profundo, mas todos concordaram: a edição 2025 começou intensa, reflexiva e com nível de exigência alto, como se espera de um exame que espelha a complexidade da sociedade brasileira.
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