
O setor público consolidado do Brasil registrou um déficit primário de R$ 17,5 bilhões em setembro, segundo o Boletim de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central. O número mostra que as despesas superaram as receitas (sem contar o pagamento de juros da dívida), elevando a dívida bruta do governo a 78,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 9,7 trilhões. O índice é próximo ao de setembro de 2024, quando o indicador estava em 78,3% do PIB.
O resultado reflete o desempenho negativo das contas do governo central — Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — que apresentaram déficit de R$ 14,5 bilhões no mês. Somados aos governos regionais, que tiveram saldo negativo de R$ 3,5 bilhões, e às empresas estatais, que obtiveram superávit de R$ 1 bilhão, o consolidado nacional terminou no vermelho.
Nos últimos 12 meses, o déficit primário acumulado do setor público chegou a R$ 33,2 bilhões, o equivalente a 0,27% do PIB, acima dos R$ 23,1 bilhões (0,19% do PIB) registrados até agosto. Apesar do crescimento do endividamento, o BC destacou que parte dessa variação se deve à valorização cambial e às emissões de títulos, além do aumento do PIB nominal.
A dívida líquida do setor público também subiu e atingiu 64% do PIB, ou R$ 8,1 trilhões. Segundo o Banco Central, o avanço reflete o impacto dos juros nominais, do déficit primário e da variação cambial. No acumulado do ano, a dívida líquida aumentou 3,3 pontos percentuais do PIB, confirmando a tendência de deterioração fiscal mesmo com a estabilidade aparente dos indicadores brutos.
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