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Economia RISCO DE DESPEJO

Itamaraty à beira do colapso: crise financeira ameaça fechar embaixadas e paralisar serviços diplomáticos

Com cofres vazios, o Ministério das Relações Exteriores pede socorro de R$ 350 milhões para evitar despejos, sanções legais e interrupção no atendimento consular

20/10/2025 às 09h18
Por: Douglas Ferreira
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Chanceler Mauro Vieira - Foto: Reprodução
Chanceler Mauro Vieira - Foto: Reprodução

O colapso orçamentário chegou ao Itamaraty. O que antes parecia um problema restrito a universidades e órgãos públicos agora atinge o coração da diplomacia brasileira. O Ministério das Relações Exteriores está sem recursos para funcionar até o fim do ano e alerta para um cenário inédito: o risco de despejo de embaixadas e consulados no exterior.

Em um ofício enviado aos ministros Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento) e Fernando Haddad (Fazenda), o chanceler Mauro Vieira pediu a liberação urgente de R$ 350 milhões em crédito suplementar. O documento, revelado pela Folha de S.Paulo, expõe o desespero da diplomacia brasileira, que hoje depende de um socorro financeiro para pagar salários, aluguéis e contas básicas de suas representações fora do país.

Vieira alerta que o orçamento atual cobre apenas as despesas até o final de outubro. Sem reforço imediato, o Itamaraty não conseguirá honrar compromissos trabalhistas, nem manter em funcionamento consulados e embaixadas brasileiras. Há risco concreto de paralisação de serviços diplomáticos e até sanções legais em países onde o Brasil mantém representação.

O ministro foi direto: “O MRE estará sujeito ao pagamento de multas e a ações de despejo” caso os aluguéis de novembro não sejam pagos até o quinto dia útil. O alerta é grave — e coloca em xeque a imagem do Brasil no exterior. Como um país que busca protagonismo global pode permitir que suas embaixadas corram o risco de despejo?

Além das despesas de rotina, o Itamaraty ainda precisa arcar com a organização da Cúpula do Mercosul e com a participação do Brasil nos eventos preparatórios da COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro próximo. O cenário se agrava diante do alto custo das viagens internacionais da Presidência e da primeira-dama Janja, que sobrecarregaram o orçamento de missões e deslocamentos oficiais.

Especialistas apontam que o problema não é apenas falta de dinheiro, mas má gestão e falta de planejamento orçamentário. O Itamaraty, tradicionalmente reconhecido pela eficiência e sobriedade, agora recorre à improvisação para sobreviver aos últimos meses do ano. Um contraste amargo com o discurso de “Brasil de volta ao mundo” que o governo Lula tenta emplacar.

Segundo a Lei Orçamentária Anual, o Ministério das Relações Exteriores dispõe de cerca de R$ 5 bilhões anuais, valor que cobre de despesas administrativas até as viagens da Presidência. Mas, na prática, o montante já se mostrou insuficiente para manter a estrutura global de mais de 200 representações brasileiras no exterior.

O chanceler Mauro Vieira, com o pires na mão, percorre a Esplanada dos Ministérios em busca de recursos, tentando salvar a imagem da diplomacia nacional e evitar um vexame internacional. O Itamaraty, símbolo do prestígio e da inteligência diplomática do Brasil, agoniza diante do descaso político e do descontrole fiscal.

Se a diplomacia brasileira já foi exemplo de equilíbrio e eficiência, hoje o Itamaraty luta apenas para manter as luzes acesas.

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