
O Ceará segue consolidando seu protagonismo na exportação de cera de carnaúba, uma das riquezas naturais mais versáteis e valiosas do estado. Em 2024, o volume exportado cresceu 67% em relação a 2022, alcançando 11,9 toneladas e movimentando US$ 76,9 milhões. O desempenho elevou a participação cearense no ranking nacional para 71% das exportações brasileiras do produto, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
O avanço cearense é resultado direto da busca mundial por alternativas sustentáveis aos derivados de petróleo. A cera de carnaúba — usada em cosméticos, alimentos, medicamentos e até na indústria automotiva — conquistou novos mercados, chegando a 46 países em 2024. A China lidera as importações, seguida por Estados Unidos, Alemanha e Japão, que ampliaram suas compras nos últimos dois anos.
Apesar do sucesso nas exportações, a produção interna apresentou queda: em 2024, o estado registrou 6,79 mil toneladas, a menor quantidade da série histórica. Ainda assim, o Ceará manteve o posto de segundo maior produtor nacional, atrás apenas do Piauí. Municípios como Granja, Camocim e Santana do Acaraú lideram o ranking, mostrando a força do interior no mercado global.
Os analistas do Ipece alertam, porém, que o estado ainda está abaixo do seu potencial produtivo, o que abre espaço para novos investimentos em tecnologia e manejo sustentável. Mesmo assim, o produto segue ganhando peso na economia local — representando 5,14% das exportações cearenses em 2024, mais que o dobro de 2022. A carnaúba, símbolo da resiliência nordestina, mostra que é possível crescer exportando sustentabilidade.
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