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Educação EDUCAÇÃO

Da Finlândia ao Brasil: salas de aula vivem onda global de indisciplina

Pesquisa da OCDE mostra que o caos e a falta de respeito nas escolas cresceram em vários países — inclusive nos mais ricos — e revelam o impacto da era digital no comportamento dos alunos

15/10/2025 às 09h54 Atualizada em 17/10/2025 às 09h27
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As salas de aula do mundo estão cada vez mais barulhentas e difíceis de controlar. Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que professores de diferentes países enfrentam um aumento expressivo na indisciplina dos alunos. Até na Finlândia — famosa por seu sistema educacional exemplar — cresceu de 18% para 28% o número de docentes que precisam constantemente pedir silêncio ou lembrar regras básicas durante as aulas.

Na Bélgica, Chile, Portugal e África do Sul, pelo menos um terço dos professores relata confusão e ruído nas classes. O Brasil, porém, lidera um ranking nada honroso: é o país onde mais docentes dizem sofrer intimidação ou abuso verbal dos estudantes — 46%, contra 36% em 2018. Além disso, seis em cada dez afirmam que manter a disciplina é sua principal fonte de estresse.

De acordo com Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE, o problema vai além da sala de aula. Ele relaciona o comportamento dos alunos ao impacto das redes sociais, da hiperconectividade e do uso excessivo de celulares — motivo pelo qual elogia países que já restringiram os aparelhos nas escolas. A geração atual cresce acostumada a estímulos rápidos e a respostas instantâneas, o que torna difícil sustentar a concentração e o respeito em ambientes educacionais.

Em meio a tantas mudanças, os professores continuam firmes, mesmo sobrecarregados. A maioria ainda se declara satisfeita com a profissão e afirma que a escolheria novamente. O desafio dos governos, agora, é oferecer apoio real — com formação adequada para lidar com temas como saúde mental, educação digital e convivência. Afinal, ensinar em 2025 é mais do que transmitir conteúdo: é formar cidadãos capazes de pensar, respeitar e se adaptar a um mundo em constante transformação.

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