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Educação CORTES NA EDUCAÇÃO

Corrida do MEC: festa política em meio ao colapso da educação

Lula e Camilo Santana celebram 95 anos do Ministério da Educação com corrida em Brasília, enquanto universidades e institutos federais enfrentam bloqueios, cortes e falta de recursos para manter atividades básicas

29/09/2025 às 08h36
Por: Douglas Ferreira
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Lula comemora 95 anos do MEC em meio a cortes na Educação e crise no Pé de Meia - Foto: Reprodução
Lula comemora 95 anos do MEC em meio a cortes na Educação e crise no Pé de Meia - Foto: Reprodução

No domingo (28), o presidente Lula, prestes a completar 80 anos, calçou tênis, vestiu camiseta vermelha do MEC, colocou boné com o slogan “O Brasil é dos brasileiros” e saiu para uma caminhada-corrida de 3 km pela Esplanada dos Ministérios, ao lado do ministro Camilo Santana e outras figuras do governo, para comemorar os 95 anos do MEC. A imagem foi usada como símbolo de compromisso com a educação — mas soa como encenação para encobrir o desmonte real do ministério.

Durante o percurso, Lula gravou vídeos, discursou e deu entrevistas nas redes sociais, afirmando que:

“Nossa atividade não tem motociata, não tem pornochanchada, tem caminhada de educadores”.

Ele tentou emoldurar o ato como genuíno exercício de proximidade com professores e estudantes. Entretanto, é difícil sustentar credibilidade quando o MEC simultaneamente enfrenta cortes, bloqueios e atrasos em verbas essenciais.

Em contraste direto com a celebração simbólica, o governo bloqueou R$ 1,3 bilhão da educação federal em 2024, como parte de contingenciamento de R$ 15 bilhões no orçamento geral. Em 2024, a Educação foi o setor mais afetado pelos bloqueios: dos R$ 5,5 bi congelados apenas naquele ano, R$ 1,6 bi foram retirados do MEC.

Em 2025, a crise orçamentária se aprofunda. O governo determinou que até novembro, cada instituição federal só poderá usar 1/18 do orçamento discricionário previsto, mantendo a maior parte dos recursos retidos para execução no final do ano. Segundo críticos e entidades do setor, essa medida inviabiliza manutenção de laboratórios, bolsas, assistência estudantil, gastos com luz, água, contratos de limpeza e segurança. 

Para tentar compensar, o MEC anunciou uma recomposição de R$ 400 milhões em seu orçamento e prometeu liberar R$ 300 milhões que haviam ficado retidos nos primeiros meses do ano. Contudo, o próprio Camilo Santana admitiu que esse valor ainda está abaixo do necessário para repor integralmente os cortes e garantir pleno funcionamento das universidades. 

Em entrevista, Camilo disse: “Foi um compromisso meu desde o início… nem universidade, nem institutos federais sofreram cortes; 2024 também. Então cumpriremos também esse compromisso em 2025, para que as nossas instituições não sejam afetadas por qualquer corte ou bloqueio ou contingenciamento no nosso orçamento”. Essa retórica, porém, parece destoar da realidade enfrentada por muitas instituições que relatam apertos dramáticos nos seus cofres.

A contradição política é crua: celebrar 95 anos do MEC em uma corrida de marketing enquanto se estrangula o MEC financeiro. Não é apenas falta de coerência; é atrofia institucional. A corrida virou escultura midiática para mascarar o esvaziamento de políticas educacionais.

Lula e aliados posam de defensores da educação, mas no orçamento do Brasil para 2025 a área recebeu R$ 226 bilhões, um montante que mal representa 4% do total de R$ 5,7 trilhões: valor que, por sua vez, reserva 44,14% (≈ R$ 2,5 trilhões) para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Ou seja: gastam-se bilhões para manter dívida, enquanto a educação mal consegue respirar.

Seria cômico se não fosse trágico: o governo promove corridas para exaltar compromisso com professores e alunos, enquanto na prática restringe verbas e inviabiliza projetos e políticas. Celebrar o MEC hoje com pompa é como construir cenografia num prédio em ruínas.

A corrida do domingo não fria nem aquece a sala de aula. Ela deixa exposta a ferida agridoce de um governo que celebra “educação soberana” em discurso e quem sabe planeja sucateá-la em execução. Que fique claro: não se reconstrói a educação com medalha e hashtag — exige verba garantida, políticas consistentes e respeito ao papel fundamental das instituições de ensino público.

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