
Enquanto o Piauí enfrenta um grande número de empresas fechadas ou em crise, o Ceará avança com investimentos internacionais e se consolida como polo tecnológico e industrial no Nordeste. A diferença entre os Estados levanta questões cruciais: por que o Piauí não consegue atrair investimentos, mesmo com esforços do governo local? Por que países como China, Alemanha e outras nações europeias e asiáticas olham para os vizinhos, ignorando o potencial piauiense?
O Ceará vem demonstrando um crescimento notável na atração de empresas globais. O mais recente exemplo é o Complexo Industrial do Porto do Pecém, em Caucaia, que pode se tornar o segundo maior polo de data centers do Brasil. O investimento estratégico está diretamente ligado à infraestrutura, políticas públicas favoráveis e à vocação do Estado para energia renovável.
O primeiro empreendimento confirmado é o data center da Casa dos Ventos, uma gigante da produção de energia renovável, que aportará R$ 150 milhões na instalação localizada na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém. A construção terá início até dezembro, e a operação plena gerará 500 empregos diretos, além de movimentar cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos na fase de obras. E o Piauí? Até agora, nada.
Além disso, outras cinco empresas internacionais apresentaram propostas para instalar data centers de hiperescala na região, capazes de processar volumes de dados equivalentes aos utilizados por Google, Facebook e Amazon. Esses projetos, ainda em avaliação, devem ter decisões definidas até o primeiro semestre de 2026, consolidando o Ceará no mapa mundial dos data centers. E o Piauí? Carimbando passaporte.
Especialistas destacam que os novos empreendimentos vão além da simples instalação de infraestrutura tecnológica. Eles estimulam toda a cadeia de suprimentos, incluindo produção local de equipamentos, cabos submarinos e serviços de telecomunicações. A previsão é que os data centers atendam às demandas de inteligência artificial, com alto desempenho e capacidade de processamento em grande escala. E o Piauí? Correndo atrás.
A atração desses investimentos também está ligada à política energética do Ceará. A MP nº 1307 de 2025, assinada pelo presidente Lula durante visita ao Estado, regulamenta a instalação de empresas em ZPEs, exigindo uso de energia limpa e permitindo benefícios do regime alfandegário. Segundo o diretor-presidente da ZPE, Fábio Feijó, a medida proporcionou segurança jurídica e viabilizou novos projetos, evitando concorrência energética entre data centers e usinas de hidrogênio. E o Piauí? Continua a ver navios.
O impacto econômico e social dos data centers é significativo. Além da geração de empregos qualificados, a presença dessas empresas fortalece o setor de tecnologia e inovação local. A expectativa é que clientes globais, como ByteDance (controladora do TikTok), Google, Amazon e Apple, utilizem os novos centros, trazendo divisas, impostos e desenvolvimento para a região.
O professor Rodrigo Porto, da UFC, avalia que o Ceará se beneficia de uma confluência de fatores: infraestrutura de conectividade, vocação para telecomunicações, energia renovável e políticas públicas favoráveis. Ele projeta que a chegada de data centers de hiperescala consolidará o Estado como um polo de referência nacional e internacional. E o Piauí. Continua campeão em bolsa família.
Enquanto isso, o Piauí precisa repensar estratégias para atrair investimentos e colocar seus potenciais no radar global. Apesar do esforço do governo estadual, ainda falta ao Estado uma política estruturada que combine infraestrutura, incentivos e promoção internacional de suas vocações. A comparação com o Ceará mostra que, sem planejamento estratégico e políticas claras, oportunidades de desenvolvimento podem escapar.
Sair pelo mundo como um vendedor de ilusões — sem políticas públicas efetivas e infraestrutura adequada — em vez de alavancar o desenvolvimento do Estado, pode ser fatal, fazendo com que ele não apenas permaneça no atraso, mas também empobreça ainda mais, à medida que a mão de obra qualificada migra para outros centros, como o Ceará e demais Estados do Nordeste.
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