
A violência contra a mulher atingiu um novo patamar de brutalidade no Maranhão. Em menos de 24 horas, dois feminicídios foram registrados no Estado, elevando para 36 o número de mulheres assassinadas somente em 2025. Os crimes, que aconteceram em São Luís e no município de Paulo Ramos, expõem uma rotina de medo e impunidade que desafia as autoridades e revolta a sociedade.
Na capital, a jovem Brenda Maria Sousa da Silva, de apenas 22 anos, foi morta dentro de casa, na madrugada de terça-feira (2), no bairro Aurora. Segundo a polícia, ela foi atingida com um tiro à queima-roupa no rosto. O principal suspeito é o vizinho, identificado como Tiago Kauan, que segue foragido. O caso chocou a comunidade, que ouviu os disparos e nada pôde fazer para salvar a vítima.
Horas depois, a violência se repetiu no interior. No município de Paulo Ramos, Gilvanda Soares, conhecida como “Gilvanda do Bar”, foi baleada em frente à casa dos pais. O crime ainda está sob investigação, sem informações sobre suspeitos ou prisões, mas a comoção tomou conta da cidade, onde a vítima era bastante conhecida.
Esses assassinatos ocorrem dias após o encerramento da campanha nacional Agosto Lilás, que reforça o combate à violência contra a mulher. No entanto, a realidade maranhense mostra que ações pontuais não têm sido suficientes para conter a escalada de feminicídios.
Os números falam por si: foram 65 casos em 2020, 59 em 2021, 69 em 2022, 50 em 2023 e 63 em 2024. Em apenas nove meses de 2025, já são 36 mortes registradas, com tendência de crescimento até o fim do ano.
A violência não se limita à capital ou ao interior. Em São Luís, os crimes refletem a convivência com a criminalidade urbana; no interior, as vítimas estão ainda mais vulneráveis pela ausência de estruturas de proteção e fiscalização efetiva. A realidade é a mesma: mulheres continuam sendo mortas pelo simples fato de serem mulheres.
O Maranhão dispõe hoje de 23 Delegacias da Mulher, além de núcleos especializados em municípios menores. Também existem canais de denúncia como o 190 (Ciops), o 181 (Disque-Denúncia), o aplicativo Salve Maria Maranhão e a Delegacia Online. Porém, na prática, a rede de proteção tem falhado em impedir que agressões recorrentes evoluam para feminicídios.
As autoridades reconhecem o desafio, mas ainda não apresentaram medidas estruturais capazes de reverter o quadro. Especialistas em segurança pública apontam que falta integração entre delegacias, judiciário e órgãos de proteção social, além de celeridade nas medidas protetivas. Enquanto isso, cresce a sensação de que a lei não chega a tempo de salvar vidas.
A pergunta que fica é: até quando o feminicídio será tratado como estatística e não como prioridade absoluta de Estado?
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