
O Comando Vermelho (CV) tem ampliado sua presença no Ceará e, segundo relatórios da Polícia Civil, a facção carioca já estaria próxima de assumir o controle do tráfico em Fortaleza e nos principais municípios do Estado. Com forte estrutura de armas, drogas e apoio de chefes no Rio de Janeiro, o grupo tem superado rivais locais, como os Guardiões do Estado (GDE), e se consolidado como a maior força do crime organizado na região.
A ofensiva inclui não apenas o domínio de territórios urbanos, mas também o avanço sobre áreas estratégicas dos portos do Pecém e do Mucuripe. O objetivo, segundo investigações da Draco, é transformar o Ceará em uma rota de exportação de drogas para os Estados Unidos e a Europa, aproveitando a localização privilegiada das estruturas portuárias. O relatório indica que o CV já controla o entorno do Porto do Pecém e vem disputando território no Vicente Pinzón, reduto do GDE próximo ao Mucuripe.
Além do tráfico, a facção tem diversificado suas atividades ilícitas, com atuação em setores como internet, aplicativos de transporte, combustíveis, jogos de apostas, bebidas e cigarros falsificados. O grupo também foi apontado em esquemas de compra de votos em eleições municipais, mostrando capacidade de infiltração na política cearense. Essas conexões ampliam o poder da organização e dificultam a repressão policial.
Nos últimos meses, a guerra entre CV e GDE elevou os índices de violência em bairros como Vicente Pinzón e Papicu, com registros quase diários de tiroteios e homicídios. A Polícia precisou instalar operações permanentes para conter os confrontos, que chegaram a paralisar escolas e espalhar medo entre os moradores. Só entre junho e agosto deste ano, 34 homicídios foram registrados nas duas regiões, a maioria ligada ao conflito entre facções.
Mesmo diante do avanço do crime organizado, as forças de segurança reforçam que têm intensificado o combate. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) registrou aumento de 156% nas prisões no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano passado. Operações conjuntas resultaram em centenas de detenções e no bloqueio de mais de R$ 2 bilhões em ativos ligados ao tráfico. Apesar disso, a disputa pelo controle do Ceará mostra que a batalha contra o CV está longe do fim.
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